IMAGEM E POESIA – Por José Fernando Magalhães (56)
José Fernando Magalhães
PINTO O MEU POEMA
Pinto o meu poema E desenho o meu caminho Num mar de letras. Às vezes junto alfazema Outras jasmim, Tudo no mesmo cadinho E às vezes umas fraquezas. Pinto o amor As cores, Os cheiros Sentimentos e sabores Procuro desenhar com primor O meu mar de cativeiros Onde todos somos actores. Pinto-me do cheiro do pomar E de suaves cores pastel Amo as palavras por si mesmas Procuro um sentido para me desenhar E sentado num capitel Dissolvo a doçura que o sal tem E quando um dia eu me acabar Desprendo-me do meu corpo Parto com as aves E vou para o lugar do nunca Um sítio singular Onde não vive ninguém De uma ponta, à outra estrema Numa enorme enseada. Deixo as minhas mãos De uma maneira ágil Pintarem o meu poema Na minha janela privada Entrego-me ao meu destino frágil E à imensa linguagem do silêncio Onde tudo é quase nada.