IMAGEM E POESIA – Por José Magalhães (108)

NA MINHA JANELA PRIVADA

 

 

Pinto o meu poema

E desenho o meu caminho

Num mar de letras.

Às vezes junto alfazema

Outras jasmim,

Tudo no mesmo cadinho

E às vezes umas fraquezas.

.

Pinto o amor

As cores,

Os cheiros

Sentimentos e sabores,

Procuro desenhar com primor

O meu mar de cativeiros

Onde todos somos actores.

.

Pinto-me do cheiro do pomar

E de suaves cores pastel,

Amo as palavras por si mesmas

Procuro um sentido para me desenhar

E sentado num capitel,

Dissolvo a doçura que o sal tem.

.

E quando um dia eu me acabar

Desprendo-me do meu corpo,

Parto com as aves

E vou para o lugar do nunca,

Um sítio singular

Onde não vive ninguém.

.

De uma ponta, à outra extrema,

Numa enorme enseada,

Deixo as minhas mãos

De uma maneira ágil

Pintarem o meu poema,

E na minha janela privada

Entrego-me ao meu destino frágil

E à imensa linguagem do silêncio

Onde tudo é quase nada.

.

.

.

About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

6 comments

  1. Pingback: IMAGEM E POESIA – Por José Magalhães (108) | joanvergall

  2. maria filomena couto soares

    Zé, mais uma vez me comovi ao ler um poema teu. Este, “Na minha janela privada”, é tão lindo, tão cheio de poesia…

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  3. Rachel Gutiérrez

    Muito bonito e muito sonoro. O som e o sentido levando a um também sonoro silêncio.

    Liked by 1 person

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