IMAGEM E POESIA – Por José Fernando Magalhães (85)
José Fernando Magalhães
AMANHEÇO MUITO CEDO, E ENCHO-ME DE MEDO
Tem dias em que abafo Preso nestas paredes De pedra Dias compridos onde vagueio Entre palavras E deambulo de quarto em quarto De sala em sala Abafado entre muitas sedes
Tem dias em que me sinto assim Cansado e farto E preso Fechado numa mala Embrumado entre as paredes
Já o dia chegou ao fim E o meu pensamento alarde Voeja por entre letras certas Preso nas folhas Dos livros lidos na sobretarde
É já noite E não se passou nada Nunca se passa nada
Tenho fogo que entra em mim Que queima, magoa E não se apaga Não tenho onde me acoite À minha volta tudo arde E preciso de pousada
Amanheço muito cedo Nos dias em que me maço E me encho de medo De me entregar ao cansaço