AMANHEÇO MUITO CEDO, E ENCHO-ME DE MEDO
Tem dias em que abafo
Preso nestas paredes
De pedra
Dias compridos onde vagueio
Entre palavras
E deambulo de quarto em quarto
De sala em sala
Abafado entre muitas sedes
Tem dias em que me sinto assim
Cansado e farto
E preso
Fechado numa mala
Embrumado entre as paredes
Já o dia chegou ao fim
E o meu pensamento alarde
Voeja por entre letras certas
Preso nas folhas
Dos livros lidos na sobretarde
É já noite
E não se passou nada
Nunca se passa nada
Tenho fogo que entra em mim
Que queima, magoa
E não se apaga
Não tenho onde me acoite
À minha volta tudo arde
E preciso de pousada
Amanheço muito cedo
Nos dias em que me maço
E me encho de medo
De me entregar ao cansaço



*Amigo José Magalhães *
*Obrigada por me presentear poemas que posto com gosto no meu face ,sempre acolhidos com muito agrado .*
*Maria *
Sou eu quem agradece, minha cara amiga.