PÍLULA: tomar preferencialmente Trinordiol ou Microginon – por Octopus

Todos os   anticontraceptivos orais (pílula) aumentam o risco de trombose venosa   profunda que pode resultar em embolia pulmonar e potencialmente em morte, mas   existem diferenças significativas entre eles.

No início, pensou-se que   o problema seria a dose de estrogénios, como tal a dose de etinilestradiol (o   estrogénio usado nas pílulas) foi progressivamente diminuído até chegarmos às   pílula mini-doseadas. Mais tarde, verificou-se que o progestagénio utilizado   também tinha influência.

O mundo das pílulas:

O componente progestagénico da pílula é, tradicionalmente, classificado numa   de quatro gerações de compostos, tendo como critério o momento em que ocorreu   a sua introdução no mercado, e não a sua estrutura ou acção farmacológica, o   que, por vezes, se torna bastante confuso e cientificamente pouco útil.

A pílula anticontraceptiva oral é uma combinação de um estrogénio e de um   progestagénio, sendo que o estrogénio utilizado o etinilestradiol. Devido aos   efeitos secundários dos estrogénios, sempre se procurou diminuir a sua dose,   e para isso foram desenvolvidas novas moléculas de progestagénio.

O quadros seguinte mostra os vários compostos das principais pílulas:

DERIVADOS DA   TESTOSTERONA:

1ª Geração : Noretisterona (não usada como anti-contraceptivo)

2ª Geração : Levonorgestrel – Microginon, Trinordiol, Miranova

2ª Geração : Norgestrel (não usado como anti-contraceptivo)

3ª Geração : Desogestrel – Marvelon, Mercilon, Novynette

3ª Geração : Gestodeno – Gynera, Tri-Gynera, Harmonet, Microgeste, Minigeste,   Minulet, Tri-Minulet, Minesse,

4ª Geração: Ciproterona – Diane 35

DERIVADOS DA   ESPIRONOLACTONA:

4ª Geração: Drospirenona – Yasmin. Yasminelle, Yaz

Yasmin, Yasminelle e Yaz:   não utlizar.

Como podemos verificar, os progestagénios até aqui utilizados eram derivados   da testosterona. Recentemente, há cerca de dez anos, o laboratório Bayer   iniciou a comercialização de uma pílula em que o progestagénio é um derivado,   não da testosterona mas sim, da espironolactona, a drospirenona.

A espironolactona é um diurético, isto é, aumenta a eliminação de líquidos no   organismo, e por isso é utilizada no tratamento da hipertensão e em certas   doenças em que existe retenção de líquidos, como na insuficiência cardíaca   congestiva.

A espironolactona tem a particularidade de ser um poupador de potássio, isto   é, impede que o organismo absorva muito sal e previne que os níveis de   potássio fiquem muito baixos. Este factor poderá estar na origem de um risco   aumentado de trombose verificado com a toma das pílulas Yasmin, Yasminelle e   Yaz (pílulas de 4ª geração)

http://octopedia.blogspot.pt/2011/12/yasmin-e-yasminelle-triplicam-o-risco.html

A Diane 35 deveria ser   definitivamente retirada do mercado.

Após a morte de 4 mulheres, em França, relacionadas com a toma de Diane 35, e   a supteitade de mais três casos que estão a ser investigados, a agência   francesa do medicamento decidiu a sua retirada do mercado. Além disso, a   pedido da França, a Agência Europeia do Medicamento (EMA), vai reexaminar as   pílulas anti-contraceptivas de 3ª e 4ª geração.

A Diane 35 é uma pílula de 4ª geração, assim como Yasmin, Yasminelle e Yaz,   que apesar de terem um progestagénico diferente, têm sido alvo de muitas   queixas contra a Bayer, por parte das utilizadoras, sobretudo nos Estados   Unidos, por aumentarem o risco de trombo-embolismo.

A Diane 35, comercializada em 116 países, além de anti-contraceptivo, também   é muito utilizada no tratamento do acne, apesar da sua eficácia moderada e   apenas observável ao fim de vários meses de tratamento.

As suas contra-indicação são numerosas: má circulação nas pernas, episódios   anteriores de isquémia ou trombose, angimna de peito ou infarto, AVC,   diabetes ou suspeita de cancro.

Trinordiol e Microginon:   o melhor benefício-risco.

Nas mulheres que não tomam qualquer pílula, o risco de trombose venosa é de 5   a 10 casos por 100 000 mulheres por ano, no caso das pílulas de 2ª geração o   risco é de 20 casos por 100 000 mulheres por ano, no caso das pílulas de 3ª   geração o risco é de 30 a 40 casos, número esse que sobe para 80 casos nas   pílulas de 4ª geração.

Todos estes dados sugerem que no caso de uma mulher escolher como meio   anti-contraceptivo uma pílula, deverá preferencialmente usar uma da chamada   2ª geração, com levonorgetrel, ou seja Microginon ou Trinordiol.

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