Category Archives: mercados financeiros

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. Texto nº 8. Não, Senhor Macron, não é “inaceitável” falar em violências policiais

(Régis de Castelnau 15 de março de 2019)

E foi assim que esta repressão judicial em massa foi precedida por uma repressão policial em massa, pontuada por um número incrível de atos de violência indignos de um país democrático. A utilização de técnicas policiais, materiais perigosos e de comportamentos abertamente violentos reivindicados  como tal resultaram num balanço humano catastrófico. Em todas as redes há imagens que dão testemunho disso e suscitam preocupação quanto ao estado das liberdades civis no nosso país.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. Texto nº 8. Não, Senhor Macron, não é “inaceitável” falar em violências policiais

(Régis de Castelnau 15 de março de 2019)

E foi assim que esta repressão judicial em massa foi precedida por uma repressão policial em massa, pontuada por um número incrível de atos de violência indignos de um país democrático. A utilização de técnicas policiais, materiais perigosos e de comportamentos abertamente violentos reivindicados  como tal resultaram num balanço humano catastrófico. Em todas as redes há imagens que dão testemunho disso e suscitam preocupação quanto ao estado das liberdades civis no nosso país.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. Texto nº 7. Um poder já fez com que os manifestantes parecessem vândalos

(Régis de Castelnau 19 de fevereiro de 2019)

Desde o início do movimento dos Colete Amarelos, todos os observadores honestos foram levados a colocarem-se perante muitas questões sobre o comportamento da polícia nas manifestações. Alguns chegaram ao ponto de acusar o Ministério do Interior de deixar os vândalos fazem o que quiserem com o objetivo óbvio de desqualificar o movimento e assustar as pessoas.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. Texto nº 7. Um poder já fez com que os manifestantes parecessem vândalos

(Régis de Castelnau 19 de fevereiro de 2019)

Desde o início do movimento dos Colete Amarelos, todos os observadores honestos foram levados a colocarem-se perante muitas questões sobre o comportamento da polícia nas manifestações. Alguns chegaram ao ponto de acusar o Ministério do Interior de deixar os vândalos fazem o que quiserem com o objetivo óbvio de desqualificar o movimento e assustar as pessoas.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 6º Texto – Dos Coletes Amarelos aos Coletes Azuis: quem beneficia com a repressão policial?

(Tao Cheret,  31 de janeiro de 2019)

A política neoliberal denunciada pelos Coletes Amarelos também impacta a polícia: “Pensamos como os Coletes Amarelos; no final do mês, não somos ricos”, confessa Eric. Assim, duas ideias antagónicas coexistem, provavelmente entre a maioria dos polícias. Por um lado, a simpatia sentida pelos Coletes Amarelos e as suas exigências. Por outro lado, a necessidade de obedecer a ordens – mesmo violentas – pela ilusão de proteger a ordem pública e pelo medo de ser despedido.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 6º Texto – Dos Coletes Amarelos aos Coletes Azuis: quem beneficia com a repressão policial?

(Tao Cheret,  31 de janeiro de 2019)

A política neoliberal denunciada pelos Coletes Amarelos também impacta a polícia: “Pensamos como os Coletes Amarelos; no final do mês, não somos ricos”, confessa Eric. Assim, duas ideias antagónicas coexistem, provavelmente entre a maioria dos polícias. Por um lado, a simpatia sentida pelos Coletes Amarelos e as suas exigências. Por outro lado, a necessidade de obedecer a ordens – mesmo violentas – pela ilusão de proteger a ordem pública e pelo medo de ser despedido.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 5º Texto – O regresso dos corpos dos pobres

(Cyril Barde,  janeiro de 2019)

A irrupção dos corpos dominados passa primeiro pelo emblema que os manifestantes tinham escolhido para si mesmos: o colete amarelo é um sinal. O colete amarelo é um sinal. Um sinal de um corpo vulnerável que se trata de fazer aparecer, para ser realçado. Um sinal de um corpo em perigo que deve ser tornado visível, sinalizando à  atenção e à vigilância dos outros. Os coletes amarelos são o sinal do retorno do corpo dos pobres na política.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 5º Texto – O regresso dos corpos dos pobres

(Cyril Barde,  janeiro de 2019)

A irrupção dos corpos dominados passa primeiro pelo emblema que os manifestantes tinham escolhido para si mesmos: o colete amarelo é um sinal. O colete amarelo é um sinal. Um sinal de um corpo vulnerável que se trata de fazer aparecer, para ser realçado. Um sinal de um corpo em perigo que deve ser tornado visível, sinalizando à  atenção e à vigilância dos outros. Os coletes amarelos são o sinal do retorno do corpo dos pobres na política.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 4º Texto – . « Menos impostos », « mais Estado » : duas reivindicações complementares

(William Bouchardon, 21 de dezembro de 2018)

Embora a redução de impostos tenha permitido conquistar parte do eleitorado popular, particularmente no caso de Nicolas Sarkozy em 2007, não há garantias de que esta estratégia continue a longo prazo. De facto, o movimento dos Coletes Amarelos , se surgir em torno de uma reivindicação fiscal, faz frequentemente a ligação entre a tributação elevada e a evasão fiscal ou a abolição do imposto sobre a fortuna ou a fuga aos impostos. Não sei se a estratégia Sarkozyista  ainda seja  eficaz após os inúmeros escândalos de evasão e fraude: Panama Papers, Luxleaks, Paradise Papers, Football Leaks…

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 4º Texto – . « Menos impostos », « mais Estado » : duas reivindicações complementares

(William Bouchardon, 21 de dezembro de 2018)

Embora a redução de impostos tenha permitido conquistar parte do eleitorado popular, particularmente no caso de Nicolas Sarkozy em 2007, não há garantias de que esta estratégia continue a longo prazo. De facto, o movimento dos Coletes Amarelos , se surgir em torno de uma reivindicação fiscal, faz frequentemente a ligação entre a tributação elevada e a evasão fiscal ou a abolição do imposto sobre a fortuna ou a fuga aos impostos. Não sei se a estratégia Sarkozyista  ainda seja  eficaz após os inúmeros escândalos de evasão e fraude: Panama Papers, Luxleaks, Paradise Papers, Football Leaks…

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 3º Texto – Coletes Amarelos: o levantamento da França popular

(Marion Beauvalet, 19 de novembro de 2018)

Não, senhoras e senhores comentadores, aliados do poder, os Coletes Amarelos  não são apenas um bando de saloios a passear com uma lata de cerveja nas mãos no sábado de manhã na sua rotunda habitual, como alguns têm tentado fazer as pessoas acreditarem nas redes sociais. O problema vai muito mais fundo.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 2º Texto – Porque é que os trabalhadores franceses pobres exigem a demissão de Emmanuel Macron

(Oliver Davis, 2 de dezembro de  2018)

Como o historiador Gérard Noiriel observou, as reformas económicas de Macron estão a deixar  as pessoas  bloqueadas à beira da estrada, cheias de dificuldades e com apenas os seus Coletes Amarelos como  proteção. Os seus coletes de grande  visibilidade seguramente  conseguiram chamar a atenção para esta causa emergente. Suspeito que há vários outros atos a seguir neste drama político em particular.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 2º Texto – Porque é que os trabalhadores franceses pobres exigem a demissão de Emmanuel Macron

(Oliver Davis, 2 de dezembro de  2018)

Como o historiador Gérard Noiriel observou, as reformas económicas de Macron estão a deixar  as pessoas  bloqueadas à beira da estrada, cheias de dificuldades e com apenas os seus Coletes Amarelos como  proteção. Os seus coletes de grande  visibilidade seguramente  conseguiram chamar a atenção para esta causa emergente. Suspeito que há vários outros atos a seguir neste drama político em particular.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 1º Texto – A cor dos Coletes Amarelos

(Aurélien Delpirou, 23 de Novembro de 2018)

Finalmente, ao disseminar sociologismos simplistas ou infundados em detrimento de análises e controvérsias argumentadas, os autoproclamados especialistas em Coletes Amarelos correm o risco de passar ao lado das verdadeiras questões , a não ser  soprar sobre as  brasas do movimento. Oporem , como fazem implicitamente estes comentadores, “automobilistas  periurbanos ” e “favorecidos do centro”, “bons pobres” e “maus pobres”, e territórios “ganhadores” e  espaços “abandonados”, talvez forneça algumas chaves tranquilizadoras para a leitura – e também reduza o número daqueles que merecem ajuda. Mas isto nunca resolveu os seus problemas.

Os Coletes Amarelos, um sintoma da próxima crise na Europa. Uma série de textos. 1º Texto – A cor dos Coletes Amarelos

(Aurélien Delpirou, 23 de Novembro de 2018)

Finalmente, ao disseminar sociologismos simplistas ou infundados em detrimento de análises e controvérsias argumentadas, os autoproclamados especialistas em Coletes Amarelos correm o risco de passar ao lado das verdadeiras questões , a não ser  soprar sobre as  brasas do movimento. Oporem , como fazem implicitamente estes comentadores, “automobilistas  periurbanos ” e “favorecidos do centro”, “bons pobres” e “maus pobres”, e territórios “ganhadores” e  espaços “abandonados”, talvez forneça algumas chaves tranquilizadoras para a leitura – e também reduza o número daqueles que merecem ajuda. Mas isto nunca resolveu os seus problemas.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 6º Texto – Alemanha. Reformas e debates do após-Hartz IV: para uma mudança de lógica

(Odile CHAGNY, 18 de Novembro de 2018)

Desde meados da década de 2000 e da rutura  da Agenda 2010, as políticas na Alemanha em matéria de reformas do mercado de trabalho, de cuidados aos desempregados e às pessoas necessitadas, rendimentos mínimos garantidos (o emblemático subsídio “Hartz IV”) têm sido invocadas muito regularmente, para comentar e avaliar os seus efeitos no desempenho do mercado de trabalho e na capacidade de reintegrar pessoas que estão permanentemente desempregadas através de uma combinação de direitos e obrigações ou, mais recentemente, sobre o impacto dos cuidados prestados aos migrantes e refugiados nos mecanismos de solidariedade.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 6º Texto – Alemanha. Reformas e debates do após-Hartz IV: para uma mudança de lógica

(Odile CHAGNY, 18 de Novembro de 2018)

Desde meados da década de 2000 e da rutura  da Agenda 2010, as políticas na Alemanha em matéria de reformas do mercado de trabalho, de cuidados aos desempregados e às pessoas necessitadas, rendimentos mínimos garantidos (o emblemático subsídio “Hartz IV”) têm sido invocadas muito regularmente, para comentar e avaliar os seus efeitos no desempenho do mercado de trabalho e na capacidade de reintegrar pessoas que estão permanentemente desempregadas através de uma combinação de direitos e obrigações ou, mais recentemente, sobre o impacto dos cuidados prestados aos migrantes e refugiados nos mecanismos de solidariedade.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 5º Texto – A esquerda alemã e os desafios levantadas pelas migrações

(Peter Whal, 9 de Fevereiro de 2019)

Desde que a Chanceler alemã suspendeu o Acordo de Dublin em Setembro de 2015, permitindo a entrada de um milhão e meio de refugiados no país durante os dezoito meses seguintes, a questão da migração desempenhou um papel espetacular na política alemã.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 4º Texto – A Alemanha – Estratégia de crescimento alemã a perder força – expõe falhas profundas na arquitetura europeia

(Bill Mitchell, 19 de Fevereiro de 2019)

Como é que se sustenta o crescimento económico quando o crescimento da produtividade do trabalho ultrapassa o crescimento do salário real, especialmente quando os governos estavam a tentar reduzir os seus défices e, consequentemente, a sua contribuição para a despesa total nas suas economias? Como é que a economia recicla a crescente participação nos lucros para ultrapassar a capacidade decrescente dos trabalhadores para consumir?

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 4º Texto – A Alemanha – Estratégia de crescimento alemã a perder força – expõe falhas profundas na arquitetura europeia

(Bill Mitchell, 19 de Fevereiro de 2019)

Como é que se sustenta o crescimento económico quando o crescimento da produtividade do trabalho ultrapassa o crescimento do salário real, especialmente quando os governos estavam a tentar reduzir os seus défices e, consequentemente, a sua contribuição para a despesa total nas suas economias? Como é que a economia recicla a crescente participação nos lucros para ultrapassar a capacidade decrescente dos trabalhadores para consumir?

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 3º Texto – A Alemanha – Os excedentes comerciais alemães demonstram o fracasso da zona euro

(Bill Mitchell , 24 de Abril de 2017)

Para resolver este problema (que é um enorme desequilíbrio entre poupança interna e investimento), a Alemanha necessita de uma maior procura interna e de um crescimento mais rápido dos seus salários, tanto para melhorar o desempenho muito modesto do consumo como para atrair investimentos para o mercado interno.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 2º Texto – A Alemanha – O que é que se passa com a Alemanha?

(Nick Kounis, 5 de Abril de 2019)

As autoridades alemãs poderiam fazer mais para incentivar uma transição para a procura interna, o que seria bom para a Alemanha e para a zona euro. O ponto de partida mais óbvio seria o reforço do estímulo orçamental. Na verdade, até mesmo o BCE começou a insinuar isso.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 1º Texto – A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte B

(Olivier Delorme, 19 de Fevereiro de 2019)

O que a Grécia também mostra é que uma alternância da “esquerda radical” no contexto do euro e da UE só pode resultar na continuação e no agravamento continuado das mesmas políticas neoliberais. Porque, tal como a esquerda reformista antes dela, ela se desacredita e acaba por restaurar o poder à direita sem ter mudado nada na ordem económica e social, mas tendo acabado por desacreditar a política e a democracia: a única escolha hoje é entre o quadro europeu e a verdadeira alternância.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 1º Texto – A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte B

(Olivier Delorme, 19 de Fevereiro de 2019)

O que a Grécia também mostra é que uma alternância da “esquerda radical” no contexto do euro e da UE só pode resultar na continuação e no agravamento continuado das mesmas políticas neoliberais. Porque, tal como a esquerda reformista antes dela, ela se desacredita e acaba por restaurar o poder à direita sem ter mudado nada na ordem económica e social, mas tendo acabado por desacreditar a política e a democracia: a única escolha hoje é entre o quadro europeu e a verdadeira alternância.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 1º Texto – A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte A

(Olivier Delorme, 19 de Fevereiro de 2019)

Então, se na Grécia,  a Europa é paz, esta é então muito semelhante à paz dos cemitérios. E uma vez que nos disseram durante meses e em todos os tons que “a Grécia está melhor” e que os números o mostram, vejamos os números. Entre 2009 e 2017, a taxa de mortalidade caiu de 9,8 ‰ para 11 ‰, a taxa de natalidade caiu de 10,6 ‰ para 8 ‰, enquanto entre 2009 e 2015 a esperança de vida saudável caiu dois anos, de 66 para 64 anos. Tais variações nas estatísticas populacionais, que refletem mudanças que são geralmente de natureza de longo prazo, são mais parecidas com as variações dos tempos de guerra.

Ano de 2019, ano de eleições europeias. Parte II – Imagens soltas de uma União Europeia em decomposição a partir de alguns dos seus Estados membros. 1º Texto – A Grécia – Círculo dos patriotas desaparecidos – Parte A

(Olivier Delorme, 19 de Fevereiro de 2019)

Então, se na Grécia,  a Europa é paz, esta é então muito semelhante à paz dos cemitérios. E uma vez que nos disseram durante meses e em todos os tons que “a Grécia está melhor” e que os números o mostram, vejamos os números. Entre 2009 e 2017, a taxa de mortalidade caiu de 9,8 ‰ para 11 ‰, a taxa de natalidade caiu de 10,6 ‰ para 8 ‰, enquanto entre 2009 e 2015 a esperança de vida saudável caiu dois anos, de 66 para 64 anos. Tais variações nas estatísticas populacionais, que refletem mudanças que são geralmente de natureza de longo prazo, são mais parecidas com as variações dos tempos de guerra.