APRESENTAÇÃO DO ARGONAUTA PEDRO GODINHO

Pedro Godinho é, como se sabe, o responsável pela rubrica Península, Penintsula  que, de segunda a sexta-feira, nos fala deste espaço geográfico que compartilhamos com outras nações. Idiomas, culturas, aspirações nacionais, constituem um espaço de liberdade que Pedro gere com segurança e competência. Enviou-nos uma “Apresentação ao correr da pena” que vamos transcrever:

Da fornada de 60, o 25 de Abril apanhou-me à beira dos 14 anos, com as hormonas a começarem a dar sinal.E que melhor momento para uma explosão de energia que o de um período revolucionário, a descobrir, com milhares de outras pessoas, a liberdade e a procura da felicidade.Com muita asneira de permeio, foram dias inesquecíveis em que me descobri cidadão, antes de ser homem. Encontrei pessoas e amizade, ideias e boa vontade.De tal modo nos entregávamos, com paixão, à construção de um novo mundo que só mais tarde compreendemos que também na generosidade podia haver desigualdade e que havia alguns que, calculistas, manipulavam, tratavam da vidinha e vendiam a alma ao diabo mais prometedor.De crente a agnóstico da Revolução, a da maiúscula, com o tempo lambi as feridas da desilusão na leitura (regressando também à literatura), no cinema e na música (sem ter de ser de intervenção), nas viagens (a ver mundo para além da ideologia), nas ideias (sem rótulos apriorísticos), no tempo e conversa com os amigos (não necessariamente camaradas), no amor duma mulher, filhos e família para uma vida.Ainda me indigno com a desigualdade e a injustiça, mas estou mais maldizente que militante, à espera do meu Godot, por não me reconhecer nas forças organizadas.As letras, sobretudo, confortam-me e poupam-me a terapia. Ligação com o blogue? O Carlos e outros amigos que ele, também, arrastou.E aqui estou, por amizade, a rabiscar uns esquiços para o blogue. E esta apresentação, sem foto, ao contrário do pedido; para parecer bem posso alegar que em protesto, snobe, com um império da imagem na comunicação, ou para não ser reconhecido e importunado na rua quando  A Viagem dos Argonautas se tornar num blogueseller, ou tão só pela pretensão de fazer diferente ou pela simples vaidade de não gostar de me ver em photomaton. Ficam as palavras, e a amizade.

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