Author Archives: estatuadesal

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte VI

(Por Guy Hocquenghem)

O romantismo afetado, dizia Hegel, é um cinismo estético; e é o reverso de um cinismo da ação profissional, que não tem nada de heróico mas se quer viril e virtuoso. “Verdadeiros homens”, “verdadeiros revolucionários”, depois, “verdadeiros proprietários” ou “verdadeiros reporters”, este papel permanente de agente secreto, como o Canadá Dry em relação ao uísque, tem a cor da virilidade, mas não é da virilidade.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte VI

(Por Guy Hocquenghem)

O romantismo afetado, dizia Hegel, é um cinismo estético; e é o reverso de um cinismo da ação profissional, que não tem nada de heróico mas se quer viril e virtuoso. “Verdadeiros homens”, “verdadeiros revolucionários”, depois, “verdadeiros proprietários” ou “verdadeiros reporters”, este papel permanente de agente secreto, como o Canadá Dry em relação ao uísque, tem a cor da virilidade, mas não é da virilidade.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte V

(Por Guy Hocquenghem)

Os jovens leões, ainda adolescentes, a julgar pelos etólogos, sabem qual o efeito de certo cerimonial de submissão para desarmar a agressividade dos velhos machos irritados; os jovens leões colocam-se de costas e urinam, mostrando o seu medo e admitindo-se vencidos, antecipadamente. A vossa solene apostasia, mais que uma conversão de ideias, é um ritual de submissão: a nossa geração de jovens leões mija-se de costas ou lambe os pés dos adultos da política (Mitterrand e Reagan, Aron, etc.).

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte V

(Por Guy Hocquenghem)

Os jovens leões, ainda adolescentes, a julgar pelos etólogos, sabem qual o efeito de certo cerimonial de submissão para desarmar a agressividade dos velhos machos irritados; os jovens leões colocam-se de costas e urinam, mostrando o seu medo e admitindo-se vencidos, antecipadamente. A vossa solene apostasia, mais que uma conversão de ideias, é um ritual de submissão: a nossa geração de jovens leões mija-se de costas ou lambe os pés dos adultos da política (Mitterrand e Reagan, Aron, etc.).

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte IV

(Por Guy Hocquenghem)

Eternos jovens, jovens velhos que estendem o negro manto da sua impotência sobre o futuro, última geração de uma demografia esgotada! Eternos jovens de quarenta e mais anos, jovens velhos de penas eternamente suspensas, eternos dirigentes estudantis, pequenos chefes que da juventude guardaram apenas aquilo que de pior ela lhes oferecia: a imaturidade sentimental e a fascinação pelos os métodos da ambição, mas nem o gosto da confrontação nem o da rebelião.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte IV

(Por Guy Hocquenghem)

Eternos jovens, jovens velhos que estendem o negro manto da sua impotência sobre o futuro, última geração de uma demografia esgotada! Eternos jovens de quarenta e mais anos, jovens velhos de penas eternamente suspensas, eternos dirigentes estudantis, pequenos chefes que da juventude guardaram apenas aquilo que de pior ela lhes oferecia: a imaturidade sentimental e a fascinação pelos os métodos da ambição, mas nem o gosto da confrontação nem o da rebelião.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte III

(Por Guy Hocquenghem)

Este economismo e este liberalismo com que vocês agora se apresentam são ideologicamente “duros”, são geradores de  outros  princípios. Este oportunismo é de aço, é de betão tanto quanto as antigas dialéticas, e a sua língua é de madeira, como a das antigas brochuras vermelhas.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte III

(Por Guy Hocquenghem)

Este economismo e este liberalismo com que vocês agora se apresentam são ideologicamente “duros”, são geradores de  outros  princípios. Este oportunismo é de aço, é de betão tanto quanto as antigas dialéticas, e a sua língua é de madeira, como a das antigas brochuras vermelhas.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte II

(Por Guy Hocquenghem)

Os maoistas‑esquerdistas‑contestatários, cuspindo sobre o seu próprio passado, aproveitaram-se da hipocrisia nacional que foi o poder socialista. Sob o poder socialista, eles enfiaram-se sobre todos os queijos. Mais do que ninguém, enfartaram até mais não. Combinaram-se assim duas renegações : a “de ex” maio de 68 tornados conselheiros ministeriais, patrões de choque ou novos guerreiros em descanso e a do socialismo que se passou de tal modo que ficou  mais à direita que a própria direita. A vossa apostasia serviu de aguilhão à da esquerda oficial.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club – Parte II

(Por Guy Hocquenghem)

Os maoistas‑esquerdistas‑contestatários, cuspindo sobre o seu próprio passado, aproveitaram-se da hipocrisia nacional que foi o poder socialista. Sob o poder socialista, eles enfiaram-se sobre todos os queijos. Mais do que ninguém, enfartaram até mais não. Combinaram-se assim duas renegações : a “de ex” maio de 68 tornados conselheiros ministeriais, patrões de choque ou novos guerreiros em descanso e a do socialismo que se passou de tal modo que ficou  mais à direita que a própria direita. A vossa apostasia serviu de aguilhão à da esquerda oficial.

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club- Prefácio de Serge Halimi; Parte I

(Prefácio à obra por Serge Halimi, 29/05/2008)

O hedonismo deu lugar ao medo, o culto “da empresa” deu lugar ao “culto” da polícia. Favorecidas pela ganância dos rendimentos e dos lucros e pelo exibicionismo mediático, novas renegações irão ocorrer. Ler Guy Hocquenghem arma-nos pois para aí responder, em conjunto,  com aqueles que sabem doravante para onde nos querem levar. 

15. Carta aberta àqueles que passaram do Coletivo Mao para o Rotary Club- Prefácio de Serge Halimi; Parte I

(Prefácio à obra por Serge Halimi, 29/05/2008)

O hedonismo deu lugar ao medo, o culto “da empresa” deu lugar ao “culto” da polícia. Favorecidas pela ganância dos rendimentos e dos lucros e pelo exibicionismo mediático, novas renegações irão ocorrer. Ler Guy Hocquenghem arma-nos pois para aí responder, em conjunto,  com aqueles que sabem doravante para onde nos querem levar. 

14. A desmundialização inquieta os defensores de um liberalismo em desespero de causa

(Aquilino Morelle, 07/09/2011)

Face à crise da mundialização, o socialismo redistributivo, apoiado no Estado providência, é um impasse; o socialismo do acompanhamento, enfermeiro da economia liberal, é uma impostura; o socialismo da transformação, o que quer alterar as regras da finança e da economia, é doravante um imperativo.

14. A desmundialização inquieta os defensores de um liberalismo em desespero de causa

(Aquilino Morelle, 07/09/2011)

Face à crise da mundialização, o socialismo redistributivo, apoiado no Estado providência, é um impasse; o socialismo do acompanhamento, enfermeiro da economia liberal, é uma impostura; o socialismo da transformação, o que quer alterar as regras da finança e da economia, é doravante um imperativo.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE IV

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

Podia-se compreender esta escolha em 1983: Reagan acaba de ser eleito nos Estados Unidos, Thatcher na Grã-Bretanha, Kohl na Alemanha. E sobretudo: é de modo ideológico que o neoliberalismo está com o vento em popa, as teses de Hayek e de Friedman invadem e dominam, na imprensa francesa, nas universidades, nos intelectuais. Enquanto o socialismo, sem falar já do comunismo, torna-se sinónimo de nulidade, de mediocridade .

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE IV

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

Podia-se compreender esta escolha em 1983: Reagan acaba de ser eleito nos Estados Unidos, Thatcher na Grã-Bretanha, Kohl na Alemanha. E sobretudo: é de modo ideológico que o neoliberalismo está com o vento em popa, as teses de Hayek e de Friedman invadem e dominam, na imprensa francesa, nas universidades, nos intelectuais. Enquanto o socialismo, sem falar já do comunismo, torna-se sinónimo de nulidade, de mediocridade .

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE III

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

A França não exclui sair do sistema monetário europeu”, coloca em título o jornal diário. O país é assim “ tentado, como o desejam abertamente alguns, a praticar ainda mais uma política a contracorrente, passando por um desenvolvimento económico mais autocentrado, – apoio da procura interna – pronto a tomar medidas temporárias de salvaguarda para proteger o seu mercado.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE III

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

A França não exclui sair do sistema monetário europeu”, coloca em título o jornal diário. O país é assim “ tentado, como o desejam abertamente alguns, a praticar ainda mais uma política a contracorrente, passando por um desenvolvimento económico mais autocentrado, – apoio da procura interna – pronto a tomar medidas temporárias de salvaguarda para proteger o seu mercado.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE II

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

14 Março de 1983 – A recusa

Este dilema atormenta o presidente, nesta manhã. Mas divide o PS, como testemunha a imprensa desse dia: em Le Monde, os militantes da linha de Chevènement atacam os militante da linha de Rocard, e falam “de consentimento a uma fatalidade”, “de submissão melancólica aos condicionalismos de um ambiente hostil”, “de uma controvérsia antiprotecionista” que seria “a ponta avançada de uma operação política em grande escala”, que conduziria ao “liberal deflacionismo ”.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE II

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

14 Março de 1983 – A recusa

Este dilema atormenta o presidente, nesta manhã. Mas divide o PS, como testemunha a imprensa desse dia: em Le Monde, os militantes da linha de Chevènement atacam os militante da linha de Rocard, e falam “de consentimento a uma fatalidade”, “de submissão melancólica aos condicionalismos de um ambiente hostil”, “de uma controvérsia antiprotecionista” que seria “a ponta avançada de uma operação política em grande escala”, que conduziria ao “liberal deflacionismo ”.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE I

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

É um aniversário que as pessoas se esqueceram de celebrar: há trinta anos, em Março de 1983, a esquerda virou à direita. Em dez dias desenrola-se um thriller político. No dia 13 de Março, François Mitterrand deseja a “outra política”. No dia 23 de Março, vergou-se: será o momento “ da viragem para o rigor” e para a Europa da austeridade. Abre-se então “o parêntese liberal”. No qual ainda estamos bloqueados.

13. A semana onde a esquerda virou à direita – PARTE I

(Por François Ruffin, Abril de 2013)

É um aniversário que as pessoas se esqueceram de celebrar: há trinta anos, em Março de 1983, a esquerda virou à direita. Em dez dias desenrola-se um thriller político. No dia 13 de Março, François Mitterrand deseja a “outra política”. No dia 23 de Março, vergou-se: será o momento “ da viragem para o rigor” e para a Europa da austeridade. Abre-se então “o parêntese liberal”. No qual ainda estamos bloqueados.

12. O ano de 1983: A « viragem para as políticas de rigor » em questão – PARTE II

(Por Floriane Galeazzi e Vincent Duchaussoy, 02/05/2011)

Contudo, 1983 parece ser o momento da viragem para a política de rigor, aquele em que se concretiza a mudança  do campo da ideologia para o campo da realidade económica, em especial porque é o momento onde a soberania económica dos Estados é verdadeiramente posta em causa pelo ambiente internacional. Trata-se sem dúvida da tomada de consciência da interdependência das economias e da necessidade de encontrar respostas coordenadas às crises mundiais. Este aspeto põe em evidência a interação entre constrangimentos externos e crise política interna.

12. O ano de 1983: A « viragem para as políticas de rigor » em questão – PARTE II

(Por Floriane Galeazzi e Vincent Duchaussoy, 02/05/2011)

Contudo, 1983 parece ser o momento da viragem para a política de rigor, aquele em que se concretiza a mudança  do campo da ideologia para o campo da realidade económica, em especial porque é o momento onde a soberania económica dos Estados é verdadeiramente posta em causa pelo ambiente internacional. Trata-se sem dúvida da tomada de consciência da interdependência das economias e da necessidade de encontrar respostas coordenadas às crises mundiais. Este aspeto põe em evidência a interação entre constrangimentos externos e crise política interna.

12. O ano de 1983: A « viragem para as políticas de rigor » em questão – PARTE I

(Por Floriane Galeazzi e Vincent Duchaussoy, 02/05/2011)

O desafio é bem aqui a interdependência nova das economias que impede que qualquer movimento de reativação unilateral venha a dar todos os  frutos esperados.

12. O ano de 1983: A « viragem para as políticas de rigor » em questão – PARTE I

(Por Floriane Galeazzi e Vincent Duchaussoy, 02/05/2011)

O desafio é bem aqui a interdependência nova das economias que impede que qualquer movimento de reativação unilateral venha a dar todos os  frutos esperados.

11. Quando os socialistas franceses libertaram a finança – PARTE IV

(Por Raphaël Kempf, 12/04/2012)

É verdade que uma vez que as regras do capitalismo mundializado estão inscritas em tratados internacionais, os quais necessitam o acordo de várias dezenas de países para ser alterados, parece então impossível voltar atrás e escolher outra política. Codificando estas regras durante os anos 1980, a política é-se ela mesmo proibida, para o futuro, de poder fazer outras escolhas.

11. Quando os socialistas franceses libertaram a finança – PARTE IV

(Por Raphaël Kempf, 12/04/2012)

É verdade que uma vez que as regras do capitalismo mundializado estão inscritas em tratados internacionais, os quais necessitam o acordo de várias dezenas de países para ser alterados, parece então impossível voltar atrás e escolher outra política. Codificando estas regras durante os anos 1980, a política é-se ela mesmo proibida, para o futuro, de poder fazer outras escolhas.

11. Quando os socialistas franceses libertaram a finança- PARTE III

(Por Raphaël Kempf, 12/04/2012)

É ‘o consenso de Paris’, e não o de Washington, que é, sobretudo, responsável pela organização financeira mundial tal como a conhecemos hoje, ou seja, centrada nas economias desenvolvidas da UE e da OCDE, e cujos códigos liberais constituem a base institucional da mobilidade dos capitais

11. Quando os socialistas franceses libertaram a finança- PARTE III

(Por Raphaël Kempf, 12/04/2012)

É ‘o consenso de Paris’, e não o de Washington, que é, sobretudo, responsável pela organização financeira mundial tal como a conhecemos hoje, ou seja, centrada nas economias desenvolvidas da UE e da OCDE, e cujos códigos liberais constituem a base institucional da mobilidade dos capitais