As editoras e os livros políticos no derrube do Estado Novo e no processo revolucionário de 1974-75 em Portugal, foi o assunto de uma palestra proferida por Flamarion Maués no passado dia 21 de Outubro na Biblioteca-Museu República e Resistência, em Lisboa, e foi o tema da sua tese de doutoramento em História na Universidade de São Paulo. O texto da dissertação está agora disponível no site
http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-07112013-131459/pt-br.php
Antes de mais, uma ERRATA:
p. 95, 184, 195 – Na linhas sobre a Editora Germinal, onde se lê José Manuel, leia-se José Manuel Ferreira.
p. 96 e 223 – Em relação à Editorial República, acrescentar: Editor: Raul Rêgo.
p. 195 – Desconsiderar a frase: “Infelizmente, não foi possível saber qual o sobrenome de José Manuel.”
p. 417 – Trocar a frase: “Os novos proprietários nomearam Nelson de Matos, que havia antes trabalhado na Editora D. Quixote, para a direção da editora, cargo que ele ocupou até 1976.” por: “Os novos proprietários nomearam Nelson de Matos para a direção da editora, cargo que ele ocupou até 1976.”
p. 419 – Eliminar o seguinte parágrafo: “Juntava-se a experiência do novo diretor editorial, Nelson de Matos, que editara muitas obras de caráter político na Editora D. Quixote, com uma nova conjuntura política em que tais obras ganhavam espaço.”
Resumo em português
O objetivo deste trabalho é analisar a atuação das editoras de livros de caráter político em Portugal entre 1968 e 1980, a fim de verificar o papel político, cultural e ideológico que desempenharam no processo de transformações pelo qual passou o país nesse período. Para isso, busquei: a) identificar as editoras que realizaram essas publicações e examinar as vinculações políticas que tinham; b) realizar o recenseamento das obras de caráter político publicadas no período em estudo; c) identificar as pessoas e organizações responsáveis por essas editoras e publicações. A partir dos dados levantados procuro entender como atuavam estes editores, quais suas motivações políticas, ideológicas e empresariais, como organizavam as editoras do ponto de vista intelectual e comercial, e qual o peso das vinculações políticas na vida das editoras. Em termos cronológicos, o período em foco começa em 1968, com o afastamento por motivos de saúde de Salazar do poder e sua substituição por Marcelo Caetano, e vai até 1980, com a formação do primeiro governo de direita após o fim da ditadura em 25 de abril de 1974. Uma síntese do trabalho mostra que existiram pelo menos 137 editoras que publicaram livros de caráter político em Portugal entre 1968 e 1980, tendo editado cerca de 4.600 títulos políticos no período. Este trabalho apresenta estudos sintéticos sobre 106 destas editoras. Minha tese é que estas editoras conformaram o que podemos chamar de edição política no país. Ao realizar um trabalho editorial que vinculava de modo direto engajamento político e ação editorial, estas editoras e seus editores atuaram com clara intenção política de intervenção social, tornando-se sujeitos ativos no processo político português no período final da ditadura e nos primeiros anos de liberdade política.
Título em inglês
Books and political parties: the political publishing houses in Portugal, 1968-80
Palavras-chave em inglês
History of books – Portugal
Political publishing houses
The carnation revolution
Resumo em inglês
The aim of this thesis is to analyze the political publishing houses actions in Portugal between 1968 and 1980. Our particular focus is the political, cultural and ideological role of these publishing houses in the process of profound changes that Portugal went through that period. In order to achieve these goals, I have sought: a) to identify the main publishing houses and their political connections; b) to make a census of the political oeuvres published in that period; c) to identify people and organization that were in charge of the publishing houses. Taking in consideration the sources and data collected, I examine how these publishers acted, and which were their political, ideological and business motivations. I also analyze how they organize the publishing houses from a intellectual and commercial perspective, as well as how was the weight of the political connections in the everyday life of the publishing houses. Chronologically, my investigation starts in 1968, when the Dictator Salazar, due health reasons, was replaced by Marcelo Caetano. The final date of my research is 1980, when a first rightwing government is formed after the end of the dictatorship in April 25, 1974. In short, my thesis demonstrates that at least 137 publishing houses edited books with clear political features in Portugal between 1968 and 1980. In this period 4,600 different political titles were published. This thesis presents synthetic studies about 106 publishing of these. My argument is that those publishing houses conformed what we can call political publishing era in Portugal. By realizing an editorial work that directly combined political activism and editorial action, theses publishing houses and their publishers acted with a clear political intention of social intervention. In this sense they become important and active social actors in the Portuguese political process in the final period of the dictatorship and beginning of the democratization years.
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Flamarion Maués, investigador do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e doutor em História pela Universidade de São Paulo, tem dedicado as suas investigações ao estudo da História editorial do Brasil e de Portugal, História do Brasil contemporâneo e História Contemporânea de Portugal, com ênfase nos seguintes temas: editoras de oposição, editores e livros de oposição no Brasil; história do livro e da edição política no Brasil e em Portugal nos períodos de transição política (anos 1970-80); ditadura e oposição à ditadura no Brasil e em Portugal. O tema que desenvolverá na sua palestra do próximo dia 21 é o que deu corpo à sua dissertação doutoral na Universidade de São Paulo. No decurso da sua investigação, entrevistou editores portugueses, alguns deles bem conhecidos pelos argonautas e colaboradores deste blogue. O poder da palavra, como diria Eduardo Galeano, foi a arma usada por autores e editores, em Portugal, no Brasil, na Argentina, no Uruguai, para derrubar ditaduras..

