Passos Coelho, Paulo Portas não desistem: querem cortar nas pensões dos funcionários públicos. Falam em convergência e igualdade para todos, em encontrar caminhos jurídicos para tornear a última decisão do Tribunal Constitucional, põem um ar de heróis que não se rendem. Entretanto, venderam os CTT e procuram passar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo (ENVC) para o sector privado, através de um processo que acabará inevitavelmente na destruição daquela importante unidade industrial. Para o ano relançará outro processo, momentaneamente travado, o encerramento da RTP, continuará a despedir, com acordo ou sem ele, funcionários públicos, a cortar nos vencimentos dos que ficam, e a reduzir verbas para a saúde e a educação.
Com ar heróico, o “nosso” primeiro ministro diz recusar-se a aumentar impostos em alternativa ao corte de pensões. Entretanto vão correndo notícias de que uma das alternativas em estudo é aumentar o IVA em 1%, o que implicaria um aumento de preços no consumidor, com reflexos imediatos sobre toda a população. Claro que a intenção subjacente é virar a população em geral contra os funcionários públicos, e os aposentados do sector público. Não se sabe ao certo quantos funcionários públicos existem, pois a sua simples contagem levanta problemas ao poder, não de ordem técnica, mas de conveniência política e social dos sucessivos governantes, os quais, na sua maioria (uma das excepções parece ser Passos Coelho) se apercebem claramente da vacuidade dos argumentos geralmente aduzidos à volta do assunto, não tomando, +e verdade, as medidas necessárias. Contudo avança-se por vezes com o número de 500/600 mil. Este número adicionado ao total dos aposentados da Caixa Geral de Aposentações (CGA) deverá atingir um total de perto de um milhão de pessoas. Se considerarmos também os familiares destas pessoas, constataremos que uma parcela importante da população portuguesa é afectada por estes cortes avulsos, que visam sim a destruição do sector público e a redução do estado à condição de guardião de uma ordem nova a ser instituída, garantindo de passagem empregos aos familiares e amigos. Para se chegar aí, é preciso destruir o que existe, tentando convencer as pessoas que se vai criar algo de novo. Schumpeter e Hayek, se vissem isto, voltariam a correr para as suas campas.
Não tenham os portugueses ilusões, a seguir à CGA virá a Segurança Social. Esta, tal como os ENVC, tem vindo a ser preparada há muito para a destruição. Esta tem demorado, porque, mesmo os mais insensíveis, compreendem a catástrofe que daí advirá. Contudo, a chamada integração europeia proporciona cobertura para muita coisa. Até para projectos de destruição nacional, autêntica liquidação colectiva, como o que está em curso. Os portugueses têm de tomar a palavra.

*oXAL os portugueses acordem sem medos dos abutres de um poder escravizador -Maria *