*Transcrito de Jornalistas Sem Fronteiras
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Tropas americanas chegam à Polónia
Responsáveis governamentais da Rússia solicitam às autoridades de Kiev e ao Pentágono que divulguem locais e horas das supostas violações do espaço aéreo da Ucrânia por aviões militares russos e também outros dados relevantes como velocidade, direcção, altitude e outros dados identificadores das aeronaves. Caso contrário, dizem, as acusações contra Moscovo continuarão a basear-se em “rumores, especulações” e não passam de “alegações populistas”.
As supostas violações do espaço aéreo da Ucrânia por aviões russos e a detenção no Sudeste da Ucrânia de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), todos eles militares de países da NATO, são os dois principais incidentes que contribuem para o agravamento, durante as últimas horas, do clima de tensão que se vive entre Bruxelas e Washington, por um lado, e Moscovo, por outro, a propósito da Ucrânia. O volume de noticiário relacionado com estes assuntos tem contribuído para diminuir o relevo de outros acontecimentos igualmente graves como a perseguição a cidadãos ucranianos russófonos em regiões ocidentais do país, inclusivamente a cargo de mercenários de empresas privadas de segurança de países ocidentais, e a chegada de militares norte-americanos à Lituânia, à Letónia e à Estónia para realização de exercícios de guerra. O contingente norte-americano já foi também reforçado na Polónia.
O coronel Steve Warren, porta-voz do Pentágono, afirmou que aviões militares russos entraram no espaço aéreo da Ucrânia “uma série de vezes” durante as últimas 24 horas. O primeiro ministro colocado no poder em Kiev pela União Europeia e os Estados Unidos, Arsenyi Iatseniuk, comentou os factos dizendo que se trata “uma acção para fazer com que a Ucrânia entre em guerra”.
O Ministério da Defesa da Rússia desmentiu que tal tenha acontecido acusando o Pentágono de “espalhar factos que não estão comprovados”, o que “não ajuda a baixar a tensão” na região.
Responsáveis russos desafiam por isso o Pentágono a dar informações precisas sobre as supostas “violações de espaço aéreo”, revelando informações sobre as coordenadas e as características dos aparelhos, de modo a que tudo possa ser verificado. Caso contrário, comentou um general russo na reserva contactado por telefone, “tudo isto não passará de mais achas para uma fogueira que já tem muito por onde arder”.
Quando aos militares de países da NATO detidos em Slaviansk (Sudeste da Ucrânia) por milícias antifascistas ucranianas, supostamente em missão da OSCE, decorrem negociações para a sua libertação sobretudo entre a Alemanha, país a que pertencem quatro dos “observadores”, e a Rússia. Os autores das detenções acusam a delegação estrangeira de ser constituída por “agentes de espionagem militar ao serviço da NATO”, revelando uma série de comportamentos suspeitos. Um dos elementos mais intrigantes da delegação é o facto de não existir uma coincidência quanto ao número dos seus membros entre as várias fontes ocidentais que abordam o assunto.
Outro aspecto obscuro da delegação são as imprecisões em relação ao seu estatuto. A OSCE afirma oficialmente que os membros do grupo “não são monitores da OSCE”, mas sim membros de países da organização enviados à luz do documento de Viena de 2011 sobre “transparência militar”. No entanto, “transparência militar é o que mais falta no grupo, constituído por oito militares de países da NATO – quatro da Alemanha, um búlgaro, um checo, um dinamarquês e um polaco – armados e portadores de mapas de Slaviansk com localização de check points, barricadas e outras informações que nos permitem concluir que se trata de espiões”, revelou por telefone um membro das milícias da cidade, que se identificou como Alexander Feldman. O mesmo interlocutor identificou “três dos oficiais”: John Christensen (dinamarquês), Axel Schneider (alemão) e Krzysztof Kobelsky (polaco).
Em Bruxelas, a porta-voz da NATO, a romena Oana Lungescu, assegurou que “não existe qualquer força da aliança colocada na Ucrânia”. Esta frase “é típica de quem pretende dizer uma coisa óbvia para fugir ao fundo da questão”, comentou um diplomata representando um país da NATO em Bruxelas. “É das tais explicações que serve para tudo e para nada, mas dentro da aliança, propaganda à parte, sabe-se muito bem que há coisas muito obscuras em curso, com patrocínio americano, e que nos fazem crer que se há gente interessada numa guerra não serão apenas os russos”, acrescentou o diplomata.
Um contingente de 150 militares norte-americanos desembarcou na base aérea de Siauliai, na Lituânia, para realizar exercícios de guerra a exemplo do que tem acontecido na Polónia, na Letónia e com a participação de navios de guerra norte-americanos no Mar Negro. “Nesta situação sabemos quem são os verdadeiros amigos que vêm para ajudar”, saudou a presidente lituana, Dalia Grybauskaite, na cerimónia de boas vindas. “Se algum dos nossos convidados for ferido isso significará um confronto aberto não com a Lituânia mas com os Estados Unidos”, ameaçou. A Lituânia é um dos países onde os Estados Unidos abriram prisões clandestinas da CIA para torturar e eventualmente liquidar supostos “terroristas”.
Richard Longo, comandante geral das tropas dos Estados Unidos na Europa, qualificou a missão como “uma mensagem para todos ouvirem e que é a de que os Estados Unidos honrarão os seus compromissos com a Lituânia”. A administração francesa de Hollande enviará em breve para o Mar Negro um barco de guerra sob a bandeira da NATO e também caças com o objectivo de fazer patrulhas aéreas no Báltico.
José Goulão, Castro Gomez, em Moscovo, Urszula Borecki, em Varsóvia, Lourdes Hubermann, em Berlim
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*Quando acabarão estas guerrinhas em estilo de terrorismo?Maria *