5 DE JUNHO, ÀS 18.30, NA FEIRA DO LIVRO, LISBOA, APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE RAQUEL VARELA, “PARA ONDE VAI PORTUGAL?”

Diz Raquel Varela no seu blog:

“ Este livro começa com uma questão: para onde vamos? Segue o ritmo premeditado de um ensaio, uma reflexão, sobre as prováveis saídas de desenvolvimento ou regressão social, o significado político do Estado social hoje e do pleno emprego e de como estes podem ser a alavanca de uma resposta civilizada à decadência nacional; é um ensaio também sobre as origens da baixa participação política dos mais jovens em Portugal e as propostas para enfrentar a crise atual do sindicalismo e da organização social. É ainda uma reflexão sobre relações humanas, costumes, sexo, amor, numa crítica à padronização/mercantilização quase total dos comportamentos sociais, que atingiu níveis inéditos, da alimentação à intimidade.

5.6 raquel

Nunca acreditei na esquizofrenia daqueles que advogam que o trabalho académico e a política são dois campos distintos. Não se faz ciência sem impacto e compromisso social transformador. E não se faz política ignorando a ciência, baralhando os dados, confundindo as metodologias, ao sabor dos tempos eleitorais ou das táticas partidárias. Uma sociedade que não identifica os pontos nevrálgicos dos seus dramas, porque teme as conclusões, não conseguirá sair do retrocesso histórico e está a adiar — e a agigantar — conflitos inevitáveis. Creio que há soluções, este é o eixo deste ensaio, que garantem uma produção racional de bens e serviços, o pleno emprego, o Estado social e o acesso ao lazer para todos. (…) Escrevi este livro com estas duas ideias: realismo e esperança. Não sei se consegui ter ambos. Isso só os leitores poderão avaliar.”

A editora apresenta-o assim:

Este livro é um ensaio sobre as prováveis saídas de desenvolvimento ou regressão social que se colocam ao país.

Para organizar a sociedade e dar bem-estar a todos não é aceitável sabotar a produção, pagar para os agricultores não produzirem, encerrar fábricas e empresas, destruir capacidade produtiva, colocar 47% da população na miséria e deter o desenvolvimento da ciência e da técnica, como tem sido feito. Já não somos o país atrasado de Salazar. Somos uma sociedade urbanizada, escolarizada, que não vê a emigração como uma fatalidade, nem viver em níveis mínimos de subsistência como um destino traçado.

Temos de ter a coragem de recusar o senso comum, de não ceder ao pensamento mágico. Uma sociedade que não identifica os pontos nevrálgicos dos seus dramas, porque teme as conclusões, não conseguirá sair do retrocesso histórico e está a adiar – e a agigantar – conflitos inevitáveis. Creio que há soluções, e é este o eixo do presente ensaio, que garantem uma produção racional de bens e serviços, o pleno emprego, o Estado social e o acesso ao lazer para todos. Mas todas as soluções têm problemas. E não se resolvem problemas escamoteando-os, ou omitindo-os, para não incomodar o senso comum, esse enorme balão cheio de nada.

Sabemos que o mundo muda. Mesmo que a Terra pareça estar parada, ela move-se. Mas o mundo não muda sozinho para melhor. O aprofundamento da democracia é hoje um desígnio central da civilização, e exige mais intervenção da sociedade, recuperação do controlo da população sobre a rés publica, em vez de se limitar a um cheque em branco passado num ato eleitoral de quatro em quatro anos. Há anos que a coisa pública é gerida por quem a quer destruir e reerguê-la vai exigir de todos nós um nível inédito de participação política, científica, pública e coletiva.

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