Inaugura dia 24 de Setembro pelas 18h30 e irá até 20 de Março 2016, no Centro de Arte Manuel de Brito, no Palácio Anjos, em Algés.
KWY denominação que incluía três letras ausentes do alfabeto português, foi uma publicação de tiragem limitada e fabrico caseiro da qual foram publicados 12 números entre 1958 e 1963, e que reuniu um extenso conjunto de materiais, das artes plásticas e do campo literário.
KWY viria a constituir-se como grupo que, além da revista e outras edições de gravuras e livros de artista, expôs em conjunto por 4 vezes, prolongando a sua existência até 1968.
KWY era constituído por Lourdes Castro, René Bertholo, João Vieira, José Escada, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, Christo e Jan Voss, grupo esse que respeitava a heterodoxia de estilos e as diferenças individuais e artísticas de cada um.
Na presente exposição para além das obras dos oito artistas que formam o grupo KWY, reuniremos obras de alguns dos artistas da Coleção que publicaram na revista e colaboraram com o grupo, tais como Arpad Szenes, Vieira da Silva, Mimmo Rotella, Corneille, Jesus Rafael Soto, Jean Tinguely, Alechinsky, Arman, António Saura, Erró e Jorge Martins.
Manuel Zimbro, Uma entrevista com Lourdes Castro
Fizemos aqueles doze números da revista KWY mas não são só esses doze números que contam ou que se poderão ver. É também como os fizemos, o que nos animava, o que nos levava a fazer isso.
Havia muito divertimento, no verdadeiro sentido, ou seja, coisas diversas, diferentes, o que nos unia não eram as tendências estéticas, o estilo de cada um, mas sim o facto de sermos todos amigos e, tão amigos éramos que, mesmo depois de tantas coisas passadas, ainda hoje somos amigos. Nesta revista, que deu um grupo que depois começou a expor, não havia a doença da competição, Éramos um só, ajudávamo-nos, fazíamos tudo uns pelos outros sem pensar no que é que eu fiz e no que é que tu não fizeste. E depois quem colaborou na revista eram outros amigos que tínhamos encontrado ou de quem tínhamos visto trabalhos ou ainda que eram conhecidos de um ou de outro, o que nos levava a convidá-los para colaborar. Todos gostavam muito da revista porque era feita assim, com muito poucos meios, claro, mas sem pretensão, com naturalidade. Por outro lado, o resultado final é que saiu uma revista diferente de tudo o que havia na altura. Sendo feita à mão em serigrafia, podíamos empregar muitas cores quando tudo era reproduzido a preto e branco.
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Quando chegámos a Paris, o René lembrou-se de fazer uma revista, ou melhor, uma carta aos amigos. E então encontrou uma seda de serigrafia que iria “revolucionar” a técnica serigráfica que até então usava em Lisboa: em vez de organdi era um tecido de nylon com uma trama muito, muito mais fina.
In KWY Paris 1958-1968, Centro Cultural de Belém, 2001