EDITORIAL – AS ELEIÇÕES EM PORTUGAL E O FUTURO

logo-editorial2

As eleições de ontem para o parlamento deixam uma situação complexa. Como vivemos em democracia representativa, num modelo que dá grande peso às decisões do parlamento, o facto de o partido mais votado não ter chegado à maioria absoluta, e de os restantes partidos  que elegeram deputados (incluindo o PAN), pelo menos teoricamente, estarem à sua esquerda, não é com certeza inapropriado chamar a atenção para a necessidade de analisar um dos cenários possíveis, o de em questões fundamentais aquele vir a encontrar-se em minoria. Pense-se por exemplo na segurança social, no seu conjunto ou em aspectos especiais (muito sérios), como a ideia, muito querida aos partidos que integraram o PàF, do plafonamento nas pensões, os apoios à população idosa, como o complemento solidário para idosos, ou o rendimento social de inserção, estes dois últimos muito afectados pelas restrições resultantes da política de austeridade.

Há que referir que, para já, da situação resulta um interesse acrescido para as eleições presidenciais. No esquema vigente, o futuro presidente da república ficará sem dúvida com mais motivos para intervir na vida parlamentar, do que se houvesse um partido com maioria absoluta. O facto em si não é negativo, mas nos tempos difíceis que atravessamos será precisa uma atenção redobrada para tirar as ilações devidas dos episódios que forem decorrendo. Um dos aspectos a incluir no cenário acima referido será o de que a política de obediência cega à Europa vai ser mais contestada do que anteriormente, o que obviamente o actual presidente da república e os líderes do PàF vão tentar prevenir atraindo António Costa e o partido socialista para a sua órbita. Entretanto, Passos Coelho terá sido o primeiro-ministro a ser reeleito, após ter aplicado uma política de austeridade, segundo a imprensa estrangeira. A ser verdade, será mais uma boa nota para o bom aluno que Portugal dispensava com certeza.

Leave a Reply