Na Gulbenkian – Sala Polivalente CAM – dias 30 e 31 de Outubro às 21:00
Caminhos da Infância
Ciclo de cinema
Todos os filmes são legendados em português.
Todas as conversas têm tradução simultânea para português.
Sexta, 30 de Outubro
21h
A Experiência, de Abbas Kiarostami
Zero em Comportamento, de Jean Vigo
Com apresentação e comentário por Alain Bergala, Maria Luís Borges de Castro e José Manuel Costa
Tadjrebeh (A Experiência)
Realização: Abbas Kiarostami
Irão / 1973 / 60’
Um órfão de 14 anos, trabalha e dorme numa loja de fotografias, onde tem um patrão austero. O rapaz acaba por se apaixonar por uma estudante mais velha, vinda de uma família de classe média. Para fugir das humilhações que sofre na loja onde trabalha, e para ficar mais perto da rapariga, o rapaz tenta arranjar um emprego na casa dela.
Zéro de Conduite (Zero em Comportamento)
Realização: Jean Vigo
França / 1933 / 41’
Baseado nas memórias de infância de Vigo e refletindo os seus ideais anarquistas, o filme retrata as experiências vividas por crianças, dentro de um colégio interno francês, que, perante um sistema educativo burocrático e repressivo, comentem, muitas vezes, atos de rebelião.
Sábado, 31 de Outubro
10h30-12h30
Mesa redonda com Alain Bergala, Maria Luís Borges de Castro e Marcos Uzal
15h
My Childhood, de Bill Douglas
My Ain Folk, de Bill Douglas
Com apresentação e comentário por Marcos Uzal e Maria Luís Borges de Castro
My Childhood (Minha Infância)
Realização: Bill Douglas
Reino Unido / 1972 / 48’
Primeiro dos três filmes que compõem a trilogia baseada nas memórias do realizador Bill Douglas sobre a sua infância pobre, passada na vila de Newcraighall, Escócia. O filme centra-se na relação entre Jamie, Tommy e a sua avó e o processo de autodescoberta da criança. A confusão sobre o seu parentesco leva-o a procurar a companhia de Helmut, um prisioneiro de guerra alemão que trabalha nos campos. Helmut não sabe falar inglês, pelo que a comunicação entre os dois é alcançada através da emoção e não da linguagem.
My Ain Folk (Minha Gente)
Realização: Bill Douglas
Reino Unido / 1973 / 55’
“My Ain Folk” leva Jamie à casa da sua avó paterna, uma mulher angustiada cujo ciúme lança um intenso ódio sobre a mãe de Jamie e por extensão para o próprio neto. Jamie nunca consegue escapar da maldade da sua avó.
18h30
My Way Home, de Bill Douglas
Tarrafal, de Pedro Costa
Com apresentação e comentário por Marcos Uzal, Maria Luís Borges de Castro e Pedro Costa
My Way Home (O Meu Caminho para Casa)
Realização: Bill Douglas
Reino Unido / 1978 / 72’
Neste filme a atenção é deslocada da infância para os problemas da adolescência. Jamie encontra, finalmente, algum conforto na casa da sua infância. Regressa para a vila, mas apercebe-se de que esta não tem nada para lhe oferecer à exceção de uma vida nas minas. Em Edimburgo, Jaime começa a trabalhar mas acaba numa casa de abrigo. Depois, o filme transita para a luz do sol do deserto egípcio, onde Jamie foi convocado para servir na zona do canal. Esta jornada longe da sua casa permite a Jamie encontrar-se a si mesmo, por meio de uma nova amizade com Robert, um jovem inglês apaixonado pelas artes e que lhe abre horizontes inimagináveis.
Tarrafal (in O Estado do Mundo)
Realização: Pedro Costa
Portugal / 2012 / 18’
“No dia do funeral do meu Pai, que nunca me ofereceu um par de meias, arranquei a pá das mãos do coveiro (do cemitério de Carnide) e enchi eu próprio a cova de terra. A mim, o meu corpo só mo enterram no Tarrafal” – José Alberto Silva, 30 anos, nascido no Tarrafal, Ilha de Santiago, Cabo Verde, residente no Bairro 6 de Maio, Amadora, à espera de extradição.
“Tarrafal” faz parte do filme “O Estado do Mundo” (constituído por 6 curtas metragens) resultado de uma encomenda da Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito das comemorações do seu cinquentenário e integrado no Fórum Cultural “O Estado do Mundo”.
A programação Nos Caminhos da Infância continua nos dias 6 e 7 de Novembro.
Programado pela associação “Os Filhos de Lumière”, este ciclo de cinema pretende estimular a discussão em torno de questões educativas a partir de uma seleção variada de filmes.
«Para os cineastas que há 15 anos atrás fundaram a associação Os Filhos de Lumière – e se dedicam à sensibilização de crianças e jovens para o cinema como forma de olhar o mundo, de desenvolver um imaginário, de crescer, de viver com os outros -, a reflexão sobre as questões da educação tornou-se um elemento crucial da sua actividade.
O desafio que o Programa Gulbenkian Qualificação das Novas Gerações lançou para organizarmos um ciclo de cinema que servisse de mote para pensar a educação veio, assim, ao encontro de algo que está no centro das nossas interrogações.
Os filmes escolhidos para este programa não tocam forçosamente a escola (embora também o façam), mas sim a infância, o imaginário e as questões que cada realizador levanta sobre o que é crescer e aprender a viver no mundo.
Mas a confrontação essencial entre uma escola com um formato cada vez mais fechado e burocratizado e o mundo exterior (a vida), não pode deixar de ser um dos aspectos chave dessa reflexão.
Apesar de ser – como lembra o cineasta Víctor Erice – a mais secreta das linguagens artísticas e a menos compreendida, o Cinema é um meio fundamental para nos levar a pensar, mas também a sonhar e a imaginar outras formas de ver e de viver.
Os autores, cineastas e pedagogos presentes irão tecer uma multiplicidade de olhares singulares sobre estas questões, “dar a ver o outro lado das coisas”, uma das faces mais importantes do olhar cinematográfico.
A Fundação Lucinda Atalaia, que há muito reflecte sobre estas questões, participa em conjunto connosco nesta procura e neste olhar novo sobre a educação e sobre o cinema.
A Cinemateca Portuguesa, para quem a relação entre o cinema e a educação é uma questão crucial, é também um parceiro essencial na concretização deste programa.
Pensar em educação para pensar o cinema, ou vice-versa.»
Teresa Garcia e Pierre-Marie Goulet (Associação Os Filhos de Lumière)
Bilheteira
Preço: 3 €

