CONTOS & CRÓNICAS – «A Irresponsabilidade não é Solução»-por Henrique Neto

Publicado antes no Jornal da Marinha Grande

contos2 (2)Estou fora de Portugal mas, mesmo assim, os jornalistas telefonam-me a perguntar a minha opinião sobre o tema aí em debate que é o domínio do sistema financeiro espanhol sobre os bancos portugueses. Ou seja, volto ao tema da semana passada, a incapacidade dos governos em preverem situações futuras e de actuarem em antecipação dos acontecimentos, deixando o Pais prisioneiro da União Europeia e de situações fora do nosso controlo.

Como resultado, estamos a deixar que a União Europeia nos diga o que devemos fazer, como aconteceu com o Banif, mas sem assumir a responsabilidade pelos resultados. Isto é, os decisores não assumem os custos das suas decisões e são os portugueses a pagar a conta. Esta situação é, a meu ver, inaceitável, mas está objectivamente a destruir o nosso futuro como Nação, com a nota de que sucessivos governos são parte do problema e não da solução.

Como é óbvio, a primeira coisa que qualquer governo decente deve fazer – podemos começar com o Novobanco – é informar Bruxelas de quem decide paga os custos das decisões e que Portugal não mais pagará os custos de decisões erradas que não são as dos portugueses. Trata-se do mínimo que um Governo capaz deve fazer neste caso do sistema financeiro, como noutros casos em que a burocracia de Bruxelas dita sistematicamente postas de pescada de forma totalmente irresponsável e sem assumir os custos das suas decisões.

Claro que isto não pode ser feito por governos nacionais igualmente irresponsáveis, como tem sido o caso, já que criámos e estamos a criar situações igualmente erradas que retiram a Portugal o prestígio necessário para ser uma voz activa na política europeia. Trata-se de um ciclo vicioso que a não ser interrompido nos destruirá como Nação por muitos anos.

E não tem de ser assim. Presentemente, estou na Irlanda que, como previ  há vinte anos, tem uma economia de sucesso, com um crescimento de 9% no último trimestre, caso único na União Europeia. Sendo que a minha previsão de então nem era difícil, bastou olhar para a capacidade dos governos irlandeses de terem uma estratégia clara e consequente baseada na previsão do futuro das economias europeias e mundiais. Presentemente, vejo aqui na Irlanda dez razões para investir, que são as mesmas que vejo em Portugal para não investir: economia em crescimento, baixos impostos, exportação como o principal objectivo económico, – exportações duas vezes e meia superiores a Portugal – estabilidade e sentido de orientação na gestão do Estado e critérios de responsabilidade individual na sociedade.

Por todas estas razões volto a alertar os portugueses para a sua própria responsabilidade em entregar a gestão do País a um sistema político/ partidário incompetente e corrupto, já que, por esta via, não teremos solução.

Nota: em Portugal a economia da Marinha Grande é a que mais se aproxima da economia irlandesa.

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