EDITORIAL – Víctor Jara e o medo que a arte provoca à tirania

logo editorialPassa hoje o 43º aniversário sobre o dia em que o cantor, compositor, poeta e docente universitário chileno, Víctor Jara, foi assassinado às ordens de um dos seres mais repugnantes, entre os muitos que a História do século XX produziu – Pinochet, o miserável traidor que, ao serviço de interesses estrangeiro numa região que os Estados Unidos considerem fulcral, a mando do capitalismo internacional, interrompeu o caminho do Chile para uma experiência – uma sociedade mais justa e fraterna. Venceremos?

https://youtu.be/-kCGOQfygE0

Oriundo de uma família campesina, Víctor Jara era, quando do golpe fascista de 11de Setembro de 1973, um conceituado elemento do mundo do espectáculo, com um papel de grande protagonismo no movimento da Nueva Canción Chilena.

Nasceu. em 28 de Setembro de 1932, em San Ignacio. Vitorioso o golpe militar, foi preso, barbaramente torturado, fuzilado e o seu corpo atirado para uma rua de um bairro degradado (1). Aluno do seminário, abandonou o estudo religioso em 1952, indo trabalhar numa fábrica de móveis como camionista e prestando depois o serviço militar. Aluno da Universidade do Chile, integrou o coro da sua Faculdade, participando na montagem e execução de Carmina Burana, de Carl Orff, levada à cena pela Escola de Teatro da Universidade. Até 1959. Desenvolve uma grande actividade como actor, cantor. encenador e director teatral. Em 1961, como director artístico do grupo Cuncumén, realiza uma digressão pela Europa – Holanda, França. URSS. etc.Com uma crescente popularidade, devido sobreudo à difusão de canções como Paloma Quiero Contarte e La Canción del Minero. Até 1970, faz parte da equipa residente de directores do Instituto de Teatro da Universidade do Chile. Com digressões pela pela Argentina, Uruguai e Paraguai, representando peças de Alejandro Sieveking e O Círculo de Gis, de Bertolt Brecht. Não será talvez a sua actividade teatral que concitará o ódio dos assassinos uniformizados, mas sim a popularidade das canções que andam nas bocas e corações dos chilenos, como ,Plegaria a un labrador, que vence o primeiro prémio do Primeiro Festival da Nova Canção Chilena.

https://youtu.be/s-qiF1jLZJ8?t=51

Multiplicam-se as digressões pelas Américas e pela Europa. Activista da campanha eleitoral da Unidade Popular, em 1971, é nomeado embaixador cultural do Governo. Dirige a Homenagem a Pablo Neruda pela obtenção do Nobel da Literatura.
No dia 11 de Setembro de 1973, quando do golpe de Pinochet contra o Governo do presidente Salvador Allende, Jara está na universidade. Preso, é levado para um estádio da capital convertido em presídio. Detido, é cruelmente torturado e ao cabo de cinco dias, é executado.
e  é mantido durante vários dias. Há alguma controvérsia quanto às torturas que teria sofrido durante os dias de cácere antes de seu assassinato a tiros, no dia 16 de setembro do mesmo ano. Havia um boato de que teria tido suas mãos cortadas[1] como parte do “castigo” dos militares a seu trabalho de conscientização social dos setores mais desfavorecidos da sociedade chilena. Jara era membro do Partido Comunista do Chile e, antes de ser preso e assassinado, integrava o Comitê Central das Juventudes Comunistas do Chile. Nos dias de cativeiro prévios à sua execução, Jara escreveu um poema que pôde ser conservado.

[1] Conta-se que um dos militares que o torturaram, lhe decepou as mãos com um sabre e no meio das gargalhadas dos outros soldados lhe gritou: iToca ahora guitarra, cabrón, No entanto, na exumação do corpo de Jara, realizada em Junho de 2009, foi confirmado que, na verdade, as suas mãos haviam sido esmagadas por coronhadas dos soldaos, mas não amputadas- Os restos mortais de Jara foram sepultados em 2003, trinta anos depois da sua execução-
[2]! Em Junho de 2016, um tribunal federal nos Estados Unidos, julgou o ex-tenente Pedro Barrientos, chileno naturalizado norte-americano, culpado de torturar e assassinar o artista. Deltona (Flórida), Barrientos dedicava-se ao comércio de carros usados. O júri condenou-o a pagar uma indemnização de 28 milhões de dólares à família. O processo civil havia começado com uma ação movida em 2013 pela viúva, Joan Turner Jara, e as duas

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