DIOGO MARTINS – SOBRE A CONVERGÊNCIA DE ESQUERDA E O MODELO DE DESENVOLVIMENTO PORTUGUÊS

No âmbito de uma parceria com a revista Manifesto, o jornal Setenta e Quatro encontra-se a publicar um conjunto de ensaios publicados em edições anteriores dessa revista. Os artigos ganham assim uma nova vida, agora em formato digital.
Neste ensaio, procurei refletir sobre o balanço político da experiência da convergência à esquerda e a sua relação com as limitações do modelo de desenvolvimento português. Este artigo já tem dois anos e sofre, com efeito, das limitações óbvias de não estar atualizado face a uma realidade política que tem evoluído muito rapidamente. No entanto, contém um conjunto de elementos que me parecem úteis para o momento atual. Assim, convido-vos a ler.
O texto pode ser consultado livremente aqui:
Abaixo, fica um excerto:
A” convergência parlamentar à esquerda mereceu amplo apoio da base social dos partidos que a constituíram. Mas persistem desentendimentos sobre o seu real potencial transformador. Parte dessa base social acreditou que se tratava de uma nova forma política sustentável no tempo, capaz de abrir um novo caminho de desenvolvimento para Portugal, ancorado numa visão mais solidária, trazida pelo diálogo à esquerda.
Este artigo procura argumentar que essa interpretação deve ser acolhida com ceticismo. O que não implica deixar de reconhecer que foi uma concretização política de grande importância, cujo balanço histórico é positivo e motivo de orgulho. Foi a Geringonça que permitiu estancar a vertigem privatizadora da direita, alcançar medidas públicas de teor universalista contrárias à alocação hegemónica do mercado (como o novo regime dos passes sociais, os manuais escolares gratuitos ou a redução de propinas) e uma maior equidade no processo de crescimento, sobretudo por meio dos aumentos do salário mínimo.
No entanto, a convergência de esquerda não resolveu nenhum dos problemas estruturais do modelo de desenvolvimento português. E nem poderia ter sido de outra forma: o entendimento com o Partido Socialista pressupôs que BE e PCP aceitassem fazer parte de uma solução onde nenhum dos constrangimentos europeus poderia ser contestado e é neles que assenta grande parte dos obstáculos ao desenvolvimento das economias periféricas.”

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