EVA CRUZ – BALADA DE OUTONO

Começa hoje o Outono e com ele a sinfonia de todas as cores nas copas das árvores e na melodia nostálgica que nos invade a alma. Saudade do vigor da natureza, das praias ensolaradas, do azul forte do mar e da branca espuma das ondas. Nostalgia tão bem cantada na voz e nas palavras de Zeca Afonso – águas passadas do rio, meu sono vazio não vai acordar…águas das fontes calai, ó ribeiras chorai, que eu não volto a cantar… poentes morrendo p´ras bandas do mar.

A água canta e a saudade chora cá p´ras bandas da serra, saudade do tempo que foi sol, que pintou de verde as folhas e os campos, que abriu flores, que deu à luz os frutos mais doces, que vestiu asas de oiro aos passarinhos e os fez trocar os ninhos pelos céus da liberdade. Nostalgia do nascer e do crescer da vida no eco da longínqua voz das águas passadas do rio.

Balada do Outono na tua voz de oiro, amigo Zeca, soa tão bem no cantar da minha água e no chorar da minha saudade, que nos faz genuinamente acreditar que também é vida aceitar que os poentes vão morrendo p´ras bandas do mar. Resta-nos a esperança de um novo sol nascente das Primaveras vindouras, no coração daqueles que, como tu, saibam pelo sonho lutar.

Leave a Reply