UMA GRANDE AMIGA MINHA, POR SINAL POSSUIDORA DE DOIS DESTES CRISTOS, ESCREVEU-ME AQUI HÁ UNS ANOS, PERGUNTANDO A RAZÃO POR QUE EU GOSTAVA DE PINTAR CRISTOS, NÃO SENDO RELIGIOSO.
Respondi-lhe, e com muito gosto, dentro da minha humilde forma de entender as coisas.
O ateísmo, palavra que nenhum ateu criou ou inventou, por desnecessária, é uma mundividência e uma mundivivência filosófica assente no conhecimento científico e na Razão, permitindo a inexcedível paz da inexistência de qualquer tipo de angústia metafísica.
Por seu lado, a fé e a crença, legítimas em quem quer que seja, mas sem nada a sustentá-las, são o resultado, natural e humano, de uma cultura do medo e da aceitação acrítica do obscurantismo irracional imposto pelas religiões.
O cristo crucificado é uma imagem profundamente enraizada numa boa parte da humanidade, podendo nada ter a ver com deuses ou com ateísmo, pois não precisa de qualquer sobrenaturalidade para encarnar o significado do sofrimento infligido pelos poderosos àqueles que se revoltam. Além disso, é uma imagem atraente para a pintura, dado que pode ser recriada e representada livremente de todas as formas e feitios, e com todas as cores que a imaginação entender.
Um grande abraço do Adão








