Contrariando uma parte das preocupações suscitadas pela ativação do sistema de barragem formado por comportas metálicas e conhecido pelo nome de Mose, destinado a preservar Veneza das inundações, alguns efeitos do funcionamento deste sistema estão a surpreender positivamente os observadores. Um dos temores mais recorrentes concernia à sobrevivência de algumas pequenas ilhas espalhadas pela laguna; bem pelo contrário, uma das ilhotas mais amadas pelos venezianos, chamada Bacàn, parece ter beneficiado com os efeitos do Mose, tendo consolidado a sua presença.
O Bacàn tem a forma de uma estreita língua arenosa com mais de 200 metros de comprimento, situa-se entre a ilha de Sant’Erasmo e a boca do Lido; só se pode chegar lá de barco (privado) e no verão é bastante frequentado pelos venezianos. Estes são praticamente os únicos que o têm como destino e consideram-no uma espécie de oásis com praia livre, muito aprazível nos meses mais quentes.
O ilhéu costumava emergir no verão, dependendo das marés, e receava-se que pudesse desaparecer devido à ação do Mose e à sua interferência com as naturais correntes lagunares. Na realidade, aconteceu precisamente o contrário, uma vez que a redução das marés mais altas desde 2020 terá consolidado a ilhota, tornando-a quase permanente.


