ADÃO CRUZ – A VERDADE

Qualquer um de nós que mantenha respeito por si próprio manifesta uma saudável vontade e necessidade de tentar aproximar-se o mais possível da Verdade, esteja ela onde estiver. Só a Verdade vos tornará livres, disse Cristo. A mentira é a ofensa mais directa contra a verdade, diz a Igreja Católica, a despeito das fundamentais e colossais mentiras em que assenta.

É frequente ouvirmos comentários a dizer para deixarmos a Igreja em paz, e se não lhe pertencemos, em nada temos que a criticar. Quem assim fala, obviamente que não reflecte, nem evidencia honestidade de pensamento. A Igreja é um fenómeno social, um dos fenómenos sociais mais entranhados e mais influentes da nossa sociedade. Se é bom ou mau, pertence a cada de nós aceitá-lo, e é obrigação de cada um de nós procurar sabê-lo. O que é certo é que todos nós, ateus, crentes, agnósticos ou pessoas de outras inúmeras religiões, temos o direito, o dever e a obrigação de nos debruçarmos, da forma como entendermos, sobre um fenómeno que nos afecta tão profundamente e que tão poderosamente interfere nas nossas vidas. Todas as nossas vidas, desde o nascimento, estão, com efeito, profundamente influenciadas pelo cristianismo católico. Toda a nossa história, os nossos próprios nomes, os actos sociais, as festas, os nomes das instituições de saúde e educação, e não só os nomes, mas toda a cultura que neles se difunde, a visão do mundo e da ciência, a visão política, económica e financeira, nacional e internacional, as intervenções em todos os quadrantes, nomeadamente as intervenções bélicas estão embebidas pelo que de santo ou diabólico existe na religião e na Igreja.

Tudo o que atrás referi tem como finalidade chamar a atenção de que nem tudo o que luz é ouro. Chamar a atenção para a necessidade de não nos deixarmos guiar apenas pelos costumes, pelas tradições, por toda a genética que herdamos e por tudo o que nos impingem. Chamar a atenção para a imperiosa necessidade de pensar, a maior força do ser humano, baseada em tudo o que é racional e científico. E também de ler, a nossa grande fonte de informação.  Leituras sérias, de prestigiados investigadores independentes, fundadas e documentadas, que consigam pôr-nos a pensar pela nossa cabeça e não pela cabeça do pensamento único, pela cabeça da igreja e dos poderes de que ela dispõe. Lembremo-nos que nada há de mais honesto e mais sagrado do que a nossa razão e a nossa mente. Passarmos por cima delas é o pior de todos os suicídios.

A sorte que actualmente temos de poder dispor, a nível mundial, de uma profusa literatura séria, honesta e credível não pode ser desprezada.

“Mentiras Fundamentais da Igreja Católica”, por exemplo, de Pepe Rodriguez, é um fantástico livro, a não perder por quem sente, como disse atrás, a necessidade da verdade como metabolito essencial da sua existência. O livro é de uma seriedade, honestidade e transparência que não deixam dúvidas a qualquer leitor bem intencionado. Pressente-se que o trabalho de investigação que lhe deu origem foi extremamente sério e ciclópico. Basta o astronómico número de referências bibliográficas e o apoio e colaboração de destacadas figuras da cultura como Victoria Camps, catedrática de ética, Enrique Magdalene conhecido teólogo católico, Maria Martinez Vendrell, psicóloga e Joaquin Navarro Esteban, magistrado da Audiência Provincial de Madrid. Mas há muitos mais livros francamente aconselháveis, repito, a quem não pode viver acomodado com a mentira, livros que, por certo, mudarão a mentalidade de quem os ler com vontade e intuito de procurar a verdade, dentro do respeito que cada um nutre por si mesmo. Refiro apenas alguns do que li:

– “Em nome de Deus” de David Yallop. (Sobre o assassinato de João Paulo I pelo Vaticano, sobre o trabalho sujo da Igreja, nomeadamente os escândalos financeiros e a cobertura na fuga secreta dos grandes criminosos nazis bem como a sua colocação em esconderijos na América Latina).

– “A Desilusão de Deus” de Richard Dawkins. (Sobre o problema Deus).

– “A Santa Aliança” de Eric Frattini. (sobre toda a ligação criminosa do Vaticano à mafia, loja maçónica, terrorismo de extrema-direita, apoios às mais ferozes ditaduras, e sobre os inimagináveis crimes e fraudes político-económico-financeiras).

-“A vida sexual do clero” de Pepe Rodriguez, (mal aceite pela Igreja, como é óbvio, mas que ela não conseguiu impedir de chegar às mãos de imensos católicos.

– “Los Papas e el Sexo” de Eric Frattini. (sobre as “castíssimas virtudes” de tudo quanto é perversão papal, desde que o papado existe.

– “O Labirinto de Água” de Eric Frattini. (Sobre o Evangelho de Judas Escariote)

– “O Espectáculo da Vida” de Richard Dawkins. (Sobre a Evolução, o mais fantástico documento anticriacionista que já li).

– “El Catolicismo Explicado a las Ovejas” de Juan Eslava Galán.

– “Los Péssimos Exemplos de Dios” de Pepe Rodriguez.

– “Segredos do Vaticano” de John Follain. (Sobre o assassinato do coronel Alois Estermann, da Guarda Suíça, e sua esposa, a venezuelana Meza Romero, perpetrado pelo cabo Cédric Tornay, que se suicidou, e que o Vaticano abafou de forma altamente suspeita).

– “O Empório do Vaticano” de Nino Lo Bello. (Sobre tudo o que o título sugere).

– “O Holocausto do Vaticano” de Avro Manhattan. (Este livro, especialmente temido e banido pelo Vaticano é algo de tenebroso, recheado de exemplos chocantes do terrorismo contemporâneo do Vaticano, com documentos e fotos dos campos de concentração católicos na Jugoslávia e não só, de execuções de centenas de milhar de não-católicos, e de inacreditáveis atrocidades e execuções em massa, com enterramento de famílias inteiras vivas e conversões forçadas, superando em crueldade o próprio holocausto hitleriano).

E muitos mais.

Longe de mim a pretensão de ensinar alguma coisa a alguém, sobretudo em matéria desta ordem. Longe de mim a intenção de procurar distorcer o pensamento de quem quer que seja. Reconheço a minha ignorância em muita e muita coisa, apesar de ter uma grande avidez de conhecimento e saber. Sou suficientemente humilde para reconhecer a fragilidade humana, mas sou suficientemente racional para saber que a verdade, esteja onde estiver, não é esta que para aí impingem de forma dogmática, e que a mentira é demasiado poderosa para a tudo se sobrepor, quando por trás dela existe a indigna exploração da ignorância, escancarada “ad nauseam” em todo este triste folclore a que assistimos, e os inconfessáveis e misteriosos interesses do poder estabelecido. O Vaticano é um regime teocrático arcaico e empedernido, que visa a defesa a todo o custo da sua “religião”, a despudorada propaganda e a extensão e expansão dos inadmissíveis e obscenos privilégios materiais e temporais de uma religião cuja essência e verdade pouco ou nada lhe interessa.

2 Comments

  1. Muito assertivo, como sempre. Posso acrescentar mais 2 ou 3: “A Puta da Babilónia; Deus não existe; A sexualidade na Bíblia”. Obrigado

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