REFLEXÃO SOBRE ATEÍSMO
por Adão Cruz
O ateísmo não é uma crença, como dizem alguns. O ateísmo não é nenhuma crença. O ateísmo não é uma religião, como dizem outros, pois não se baseia nos preceitos básicos das doutrinas religiosas, como a crença em um ser superior, a prática de rituais ou de outras regras doutrinais. O ateísmo, num sentido amplo, é, como todos sabem, a rejeição ou ausência da crença na existência de divindades e outros seres sobrenaturais. O ateísmo resulta de uma compreensão racionalmente científica e filosófica da vida. É uma mundividência e uma mundivivência baseadas numa profunda aprendizagem humana, cultural e científica que impede a aceitação de tudo aquilo que se afaste da postura lógica e racional do pensamento. O ser ateu ou ser crente, seja no que for, é uma questão pessoal, ainda que com profundas interferências, influências, implicações e repercussões sociais. E aqui, a questão passa a ser outra, passa a ser um intrincado problema social e mesmo um problema da humanidade, cuja abordagem não tem lugar neste texto. Por ser um problema pessoal, quer o ateu quer o crente, seja no que for, têm todo o direito a serem respeitados. O mesmo não acontece com as crenças, as quais, com toda a legitimidade, podem não merecer qualquer respeito. Por isso, habitualmente, eu não abordo nem aprofundo estas questões, de um ponto de vista pessoal. Sobretudo, não discuto estas questões com a maioria das pessoas crentes, pois nunca se chega a lado nenhum. Adoro conversar e argumentar com todas as pessoas, ateias ou não, que sentem uma honesta vontade de abordar estes temas, e com aquelas pessoas que, mesmo crentes, se mostram inseguras e sentem necessidade de procurar a verdade neste complexo caminho da vida, ou pelo menos, conscientes dos inúmeros obscurantismos, procuram um entendimento lógico, racional e científico da sua existência.

