Seleção e tradução de Francisco Tavares
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Novo veto americano na ONU para proteger Israel, põe em cólera os restantes 14 membros
Por Redação de
, em 19 de Setembro de 2025 (original aqui)

Os Estados Unidos vetaram mais uma vez, na quinta-feira, 18 de setembro, uma resolução do Conselho de segurança da ONU pedindo um cessar-fogo imediato e acesso humanitário a Gaza.
Quatorze membros do Conselho votaram a favor, mas Washington bloqueou o texto, confirmando o seu alinhamento com a posição israelita, apesar da escala do desastre humanitário no enclave.
O texto apelava ao levantamento das restrições impostas por Israel à entrada de ajuda, à libertação de reféns e a um cessar-fogo permanente. Estas disposições foram rejeitadas pelos Estados Unidos, que consideraram que a resolução não tinha em conta a “realidade no terreno” e não condenava o Hamas. O embaixador israelita Danny Danon congratulou-se com o veto, acusando o Conselho de “capitular” e dizendo que Israel continuaria a sua guerra até à destruição do movimento islâmico.
Do lado dos outros membros, a cólera é forte. “Perdoem-nos porque este Conselho não pôde salvar os vossos filhos”, disse o embaixador argelino Amar Bendjama, falando directamente aos residentes de Gaza. O representante paquistanês, Asim Iftikhar Ahmad, denunciou um “momento sombrio” e recordou que “o choro das crianças” deveria abalar a consciência do mundo. A dinamarquesa Christina Markus Lassen advertiu contra uma “geração perdida” por causa da fome e do desespero.
Passados dois anos, Gaza encontra-se devastada pela guerra desencadeada após o ataque do Hamas em outubro de 2023. A ONU declarou oficialmente a existência de fome no território no mês passado, responsabilizando Israel pelo bloqueio da ajuda. Pela primeira vez, uma comissão internacional de inquérito mandatada pela ONU chegou a acusar o Estado hebreu de cometer genocídio contra os palestinianos, com a intenção de os “destruir”.
Ao manter o seu veto, Washington encontra-se cada vez mais isolado no cenário internacional. Enquanto a administração Trump repete que as resoluções da ONU não “mudarão a realidade”, as críticas intensificam-se, inclusive entre os aliados tradicionais dos Estados Unidos. Espera-se que a questão surja no centro da cimeira anual da ONU na próxima semana, em Nova Iorque, onde a pressão diplomática sobre Israel não pára de crescer.
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