Naquela Primavera de 1846, embora a Guerra Civil tivesse acabado doze anos antes, a imposição das regras cartistas, sobretudo nas omunidades rurais dominadas pelo espírito tradicionalista. O culto pelo progresso, os ideais democráticos, eram sentimentos citadinos. Nas aldeias, as novidades liberais não eram bem recebidas. Párocos descontentes com o regime que triunfara, acicatavam ódios e incitavam os camponeses à rebelião. As causaa próximas para a Revolução do MInho ou da Maria da Fonte terão sido medidas do governo de António da Costa Cabral – alterações fiscais, leis de recrutamento militar obrigatório e a proibição de enterrar mortos dentro das igrejas. O rastilho terá sido aceso em Santo André de Frades, Póvoa do Lanhoso. Uma mulher chamada Maria, por alcunha a «Maria da Fonte», por ser natural da freguesia de Fontarcada, terá estado na origem dos motins, instigando-os com energia e coragem. Muitas mulheres aderiram e, depressa todo o Minho era pasto do fogo insurrecional. Fogo que se propagou a todo o país e motivou a queda do gabinete de Costa Cabral, substituído pelo duque de Palmela. A questão prolongar-se-ia pelos meses seguintes e redundou numa nova guerra civil que durou oito meses – a Patuleia e que obrigou à intervenção de forças militares estrangeiras, terminando em Junho de 1847 com a assinatura da Convenção de Gramido. Durante a Revolução da Maria da Fonte, o maestro Angelo Frondoni compôs um hino popular – o Hino da Maria da Fonte ou Hino do Minho. A Revolução do MInho não deve ser caracterizada como reaccionária. Embora possa ter sido incentivada por miguelistas, exprimiu sobretudo a revolta popular contra a injustiça social – medidas aparentemente progressistas como a da integração dos bems da Igreja, redundaram na criação de novas fortunas. Foi uma canção de intervenção. A letra do hino, diz:

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