Pentacórdio para Quarta 26

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   A agenda desta Quarta-feira 26 de Setembro é também singela, mas com alguns pontos de interesse.

 

   Assim no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, toca ao piano o norte-americano Craig Taborn, que no seu recente álbum “Avenging Angel” (ECM,2011) abandona o seu anterior interesse pelos teclados electrónicos e assume uma nova atitude face ao factor improvisação (o Cd não poderá ser interpretado ao vivo pois não há qualquer partitura a ler). Explica o pianista que lançou a si mesmo o desafio («estético», sublinha) de «limitar os elementos estruturais, de modo a focar-se deliberadamente num número limitado de opções e verificar de que maneira tal influencia a criação musical».

   Segundo  John Fordham, no The Guardian, ”…o  génio de Taborn (não há outra palavra) constrói um mundo de figuras murmuradas, de amplos espaços, de sonoras e vibrantes melodias, de ecos que se evaporam, de incandescentes cascatas contrapontísticas tão absorventes como se estivesse a tocar os maiores sucessos do bebop.

   É este parceiro inicial do saxofonista James Carter, colaborador de tantas figuras do mainstream do jazz como da vanguarda, desde Wadada e Steve Coleman a Tim Berne e Michael Formanek, membro do grupo de electrónica de dança “Meat Beat Manifesto” e da banda de noise-punk “The Gang Font” e líder actual do quinteto “Junk Magic” e do agrupamento “Ancients and Moderns” que ouviremos tocar desta forma :

 

 

 

 

 

   Também na Quarta-feira à noite, às 21h, recomeçam os Concertos Sinfónicos na Sala Principal do Teatro Nacional de São Carlos, onde se ouvirá a Orquestra de Macau sob a direcção musical de Lü Jia interpretar um programa onde figuram :

      Luís de Freitas Branco Balada para piano e orquestra, com Adriano Jordão ao piano

    Wu Zuqiang, Wang Yanqiao, Liu Dehai Concerto para pipa e orquestra As Irmãs da Pradaria                                                                          (arranjos de Peng Xiuwen), com Zhang Hongyan pipa

      Piotr Ilitch Tchaikovski  Sinfonia n.º 4 em Fá menor, op. 36

   Embora de má qualidade visual, é este um excerto da conclusão da segunda peça do concerto, com um extra demonstrativo do som da pipa, antiquíssimo instrumento de corda chinês tocado por Zhou Yi :

 

 

 


   Ainda a 26 de Setembro (Quarta), na Sala Vermelha do Teatro Aberto, às 21h30, é reposta a peça da dramaturga (e realizadora) portuense Cláudia Clemente (foto) “Londres”, recente vencedora do Grande Prémio de Teatro Português promovido pela Sociedade Portuguesa de Autores em 2011.

   Encenada por João Lourenço (que regressa à actividade na companhia que fundou há 30 anos) com cenários de António Casimiro e realização vídeo de Nuno Neves, o espectáculo marca a estreia da actriz Carla Maciel (2ª foto) na interpretação de um monólogo que o programa assim resume :

   “Uma família parte em viagem à procura de uma saída. Uma cidade: Londres. Uma cidade conhecida que se tornou estranha e fria, aos olhos de quem empurra a porta a medo e entra. Uma mulher escreveu sobre essa viagem, sobre o pai e a mãe, sobre si própria, escreveu para entender, para dar sentido ao que se passou nas suas vidas. Hoje vem ter connosco ao teatro. Escolheu o palco para nos contar essa história, a história da sua família, um pedaço de vida, repleto de memórias, afectos e emoções”.

   É este um curto trailer feito para anunciar a peça :

 

 

 

 

 

   Por último, lembramos (o que este blogue já fez) que hoje, Segunda 22, a Barraca realiza mais um dos seus Encontros Imaginários às 21h30 no Cinearte, pondo em confronto (como anunciam) “três figuras que, a seu modo particular, sempre lutaram pela Liberdade” : Símon Bolívar, o “Libertador” de vários países da América Latina, símbolo maior das lutas anti-colonialistas e anti-imperialistas nesse continente, Calamity Jane, a americana “mulher da fronteira” do fim do século XIX, batedora, condutora de diligências, enfermeira, estrêla de saloon e do circo de Buffalo Bill, a mulher que terá conseguido ser livre no FarWest selvagem, e Albert Einstein, a inteligência criadora que fez avançar o conhecimento humano, socialista,  pacifista e anti-nazi.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

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