Pentacórdio para Terça 2

por Rui Oliveira

 

 

 

 

   Na Terça-feira 2 de Outubro há como evento novo apenas a Soirée sobre Romantismo contemporâneo que o Festival Cantabile, patrocinado pelo Goethe Institut de Portugal, promove no Foyer do Teatro Nacional de São Carlos, às 18h, com entrada livre.

   Aí os solistas escolhidos por aquele Festival  Diemut Poppen  viola,  Jano Lisboa  viola, Alexander Chaushian  violoncelo, Sebastian Manz clarinete, Herbert Schuch piano e Nicole Hagner piano  irão tocar de Robert Schumann “Geistervariationen” – Tema com variações para piano solo em Mi bemol maior, WoO 24 (de 1854), de Alexandre Delgado  “Antagonia” para viola solo (de 1990), de Robert Schumann “Fantasiestücke” para clarinete e piano em Lá menor, op.73 (de 1849), de Volker Blumenthaler  “Papillo amadei” (Mozartfalter) para clarinata basset solo (de2009) e de Johannes Brahms Trio em Lá menor na versão para viola, violoncelo e piano, op.114 (de 1891).

   Por Herbert Schuch ser um pianista menos conhecido entre nós, deixamo-vos com a sua execução dum excerto da Fantasia em Mi sustenido maior de Carl Philipp Emanuel Bach :

 

 

 

 

   Na ausência de outros acontecimentos, retomamos o convite que iniciámos ontem de visita às exposições que a crítica da especialidade tem elogiado, começando pela outra (a par da referida aqui ontem) inaugurada no Centro de Arte Moderna (CAM) no passado dia 21 (permanecendo até 6.01.2013) do irlandês Gerard Byrne intitulada “Imagens ou Sombras”, cuja curadoria é de Enrique Juncosa (tendo como associada Isabel Carlos).

   Localizada na Galeria de Exposições Temporárias e Sala Polivalente, esta  exposição teve o seu início no Outono de 2011 no Irish Museum of Modern Art (IMMA) em Dublin na Irlanda, cidade natal do artista. Em cada um destes museus a mostra assume diferentes configurações, consoante o espaço e a curadoria local.

   Imagens ou Sombras, título também do catálogo que a acompanha, “é (segundo este) mais do que uma evocação da caverna platónica – em que o que nós humanos veríamos seria somente as sombras do mundo verdadeiro –, é sobretudo uma síntese do que interessa a Byrne, a realidade e a ficção, a verdade e a fantasia, não como categorias opostas mas porosas, que se contaminam e instabilizam, tal como uma escultura minimalista exige um uso e manuseamento simultaneamente delicado e complexo”.

                

 

 

 

 

   Outra que críticos têm apreciado (vide J.L.P. em Atual 22/9) encontra-se na Sala Cinzeiro 8 do Museu da Electricidade e intitula-se “Os Comedores de Batatas” da artista radicada na Holanda Maria Beatriz. Permanece ali até 25 de Novembro.

   Diz o catálogo : “ Esta série de obras da autoria da Maria Beatriz parte de uma das pinturas mais celebradas de Vincent van Gogh, Os Comedores de Batatas. Trata-se de uma obra do período inicial da sua carreira, anterior à sua instalação em França, onde as preocupações sociais e humanas da obra de maturidade estão já intensamente presentes.

   No entanto, Maria Beatriz desvia-se de toda a intenção ilustrativa, transportando para a contemporaneidade o tema. Figuras isoladas em vez de um grupo familiar, uma maioria de jovens de diferentes níveis, embora revelando todos sinais de algum desenraizamento social. Na mão ou nos bolsos as personagens mostram grandes e grossos palitos de batatas fritas (tal como se servem nos pacotes comprados nas ruas da Holanda de hoje), sinal recente de comida dos pobres urbanos – como se os sinais de miséria dos mineiros oitocentistas persistissem hoje nesta dimensão da fast food universal.

   A artista pinta sobre delicadas superfícies de veludo mas, numa mesa que instala na exposição, um monte de cascas de batata recorda-nos a intenção crítica inicial de ambos os artistas”.

                               

 

 

   Outra ainda merecedora de encómios é “Megaparsecs” do artista plástico Samuel Rama, uma instalação de carácter escultórico que parte do espaço da Sala Negra do Teatro da Politécnica para criar uma certa noção de paisagem que convoca o tempo geológico e o espaço lumínico circundante exterior do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa.

   Permanece ali até 20 de Outubro

   Diz o autor : “As principais linhas de força do meu trabalho poderiam ser reduzidas a três conceitos fundamentais: paisagem, temporalidade e ligação com a terra. O primeiro tenta pensar a paisagem a partir da capacidade que tem para despoletar movimentos na consciência, isto é, uma espécie de fundo que impele ao movimento e pensamento constantes. A temporalidade interessa-me principalmente pela exploração de como o tempo se transforma em espaço, isto é, como é que a sucessividade se vai sedimentando em espaço plástico ou simultaneidade, como é que o movimento do fazer acompanha o movimento do pensar. E por fim a ligação com a terra, que é também um problema de ligação com o tempo geológico e com o absoluto que é a terra “.

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Domingo aqui )

 

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