Eugenio Pacelli, também conhecido como o Papa Pio XI, amigo e aliado de Hitler e de Mussolini, foi canonizado. José María Escrivá, o tortuoso criador do Opus Dei, também. 
Uma senhora chamada Irena Sendler, que faleceu há quatro anos, durante a 2ª Guerra Mundial, conseguiu uma autorização para trabalhar no guéto de Varsóvia como operária canalizadora. Mas, mais do que reparar canalizações, o seu objectivo era salvar crianças judias, pois sabia quais eram os planos dos nazis relativamente aos judeus. Irena trazia crianças escondidas no fundo da sua caixa de ferramentas e levava um saco de serapilheira na parte de trás da camioneta para crianças mais crescidas. Também levava um cão a quem ensinara a ladrar aos soldados alemães quando entrava e saia do gueto. Os soldados, temendo ser mordidos pelo cão, não revistavam a camioneta. Por outro lado, o ladrar do animal encobriria qualquer ruído que os meninos pudessem fazer. Por este processo, salvou 2500 crianças.
Por fim os alemães apanharam-na. Em Outubro de 1943. Irena Sendler foi presa pela Gestapo e levada para a infernal prisão de Pawiak, onde foi brutalmente torturada. Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II. Em 2006 foi proposta para receber o Prêmio Nobel da Paz… mas não foi seleccionada. Quem o recebeu foi Al Gore por sua campanha sobre o Aquecimento Global.
Nada temos a ver com os critérios da Igreja Católica Apostólica Romana. Mas é curioso que criminosos e mafiosos sejam canonizados e santificados e não o sejam pessoas como Irena Sendler ou Aristides de Sousa Mendes (que não se limitaram aos milagres da treta que a ICAR põe como condição prévia à canonização), fizeram, com as suas limitações de seres humanos, prodígios, salvando milhares de pessoas. Ficamos satisfeitos que não canonizem Irena ou Aristides – ser metidos na mesma antecâmara onde estão Pecelli e Escrivá, seria uma afronta à sua dignidade de seres infinitamente bondosos.
