EDITORIAL: VENTOS DE GUERRA

Diário de Bordo - II

 

Ontem noticiaram que os EUA enviaram mísseis e soldados para a Turquia. Oficialmente a razão é o conflito com a  Síria, onde Assad se está a revelar um osso mais duro de roer do que o inicialmente  previsto. François Hollande já se tinha precipitado a apoiar os seus opositores, e com tantas boas vontades (ou más, conforme se queira) é previsível que o contestado chefe sírio já não dure muito tempo. Chegam todos os dias notícias sobre carros bomba e  de outros atentados, e também de que Assad irá usar armas químicas (teremos uma nova versão das armas de destruição maciça?), enfim, são os preparativos para mais uma liquidação de um regime e implantação de outro. Ponto a registar: a consolidação da presença militar americana na região. .É claro que sob o pretexto de ajudar a derrubar uma ditadura se consolidam posições para outras aventuras militares. A seguir virá o Irão, e depois talvez a Rússia. Esta vê o cerco apertar-se à sua volta, e retoma os ensaios com mísseis intercontinentais. Onde é que iremos parar?

Porquê tanta fúria guerreira? Para defender as liberdades? Quem acredita nisso? Para defender os aliados? Por motivos económicos, pelo petróleo? Dá a impressão de que há um sistema enorme, que precisa de se manter em funcionamento, e de regularmente travar confrontos com opositores que vão sendo sucessivamente seleccionados e depois eliminados. É isto o império.

Um acontecimento horrível deu-se ontem em Newtown, Connecticut, nos EUA. Um indivíduo entrou numa escola e matou vinte crianças e seis adultos, para depois se suicidar. Há notícias de que sofria de perturbações mentais. Com certeza que os EUA não detêm o monopólio da violência, ela está cada vez mais espalhada por todo o mundo. Mas não é legítimo interrogar-nos sobre se entre este tipo de incidentes, de que já ocorrerem tantos casos nos EUA, e se estão a tornar cada vez mais frequentes noutros países, e o espírito guerreiro subjacente a tantos episódios militares que vão sucessivamente ocorrendo, não existe uma relação profunda?

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