POESIA AO AMANHECER – 109 – por Manuel Simões

poesiaamanhecer

JOAM GARCIA DE GUILHADE

(antes de 1239 – depois de 1270)

Ai, dona fea, fostes-vos queixar

que vos nunca louv(o) em meu cantar;

mais ora quero fazer um cantar

em que vos loarei toda via;

e  vedes como vos quero loar:

dona fea, velha e sandia!

Dona fea, se Deus mi pardom,

pois avedes (a)tam gram coraçom

que vos eu loe, em esta razom

vos quero já loar toda via;

e vedes qual será a loaçom:

dona fea, velha e sandia!

Dona fea, nunca vos eu loei

em meu trobar, pero muito trobei;

mais ora já um bom cantar farei,

em que vos loarei toda via;

e direi-vos como vos loarei:

dona fea, velha e sandia!

Cavaleiro português e trovador, provavelmente natural da aldeia de Guilhade, perto de Barcelos. Esta cantiga é uma divertida paródia de um dos temas da cantiga de amor: o louvor da dama.

Glossário:  “mais”: mas; “toda via”: de qualquer modo; “atam gram coraçom”: tão grande desejo; “en esta razom”: por este motivo; “pero”: ainda que

Leave a Reply