JOAM GARCIA DE GUILHADE
(antes de 1239 – depois de 1270)
Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louv(o) em meu cantar;
mais ora quero fazer um cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi pardom,
pois avedes (a)tam gram coraçom
que vos eu loe, em esta razom
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçom:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já um bom cantar farei,
em que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
Cavaleiro português e trovador, provavelmente natural da aldeia de Guilhade, perto de Barcelos. Esta cantiga é uma divertida paródia de um dos temas da cantiga de amor: o louvor da dama.
Glossário: “mais”: mas; “toda via”: de qualquer modo; “atam gram coraçom”: tão grande desejo; “en esta razom”: por este motivo; “pero”: ainda que

