Em 18 de Setembro de 2025 a Associação 25 de Abril difundiu um Comunicado onde denunciava a atitude do Governo, afirmando não o poder considerar “pessoa de bem” em virtude de o mesmo não cumprir os compromissos assumidos pelo Estado, que ele próprio, Governo, representa em primeiro lugar.
Desde aí não houve qualquer evolução no processo, que seja do nosso conhecimento.
Porque o Expresso decidiu, em boa hora, noticiar o ponto de situação do processo de implantação do Centro Interpretativo do 25 de Abril, deixando claro que o mesmo está totalmente parado – de acordo com a postura do Governo de tentar deturpar a História do 25 de Abril ou, se possível, apagá-la mesmo – o tema voltou a ser do fórum público, disso resultando o enorme interesse sobre o mesmo, que os órgãos de comunicação social se apressaram a manifestar.
Tomámos entretanto conhecimento de uma informação que fonte do Governo difundiu:
(…)
A solução protocolada assentava num pressuposto que é actualmente inviável, visto que o MAI continuará a funcionar no local actual, o qual não fica por isso devoluto para o efeito.
Não foi protocolado, e não está neste momento prevista esta utilização para a área do Terreiro do Paço ocupada pelos serviços do Ministério da Agricultura.
No diálogo com as entidades envolvidas foram sugeridas alternativas de localização, designadamente o aproveitamento alargado de outro dos espaços mais simbólicos neste domínio, localizado na Pontinha.
O Governo mantém abertura para procurar soluções.
(…)
Perante este posicionamento, informamos:
1. O Governo – não o actual mas o anterior, o que implica a responsabilização do Estado – assinou um Protocolo onde se comprometia com a Associação 25 de Abril, a Camara Municipal de Lisboa e a Associação Turismo de Lisboa, a uma solução para a criação e instalação do C.I. 25 de Abril.
2. Sem apresentar quaisquer justificações, o Governo decidiu anular esse Protocolo, limitando-se a informar já não estarem disponíveis as instalações previstas.
3. Em alternativa, o Governo – não por escrito mas sim pessoalmente, através do Ministro Leitão Amaro – sugeria parte do espaço ocupado pelo Ministério da Agricultura, acrescentando que isso só seria possível a partir de 2027, sugerindo que, em alternativa, poderíamos apresentar outra solução.
4. Vem agora o Governo afirmar que terá sugerido a utilização do espaço onde funcionou o Posto de Comando do MFA, no anterior Quartel do Regimento de Engenharia 1, na Pontinha, hoje Quartel de uma importante Unidade da GNR.
Hipótese que nunca foi abordada com a A25A, mesmo no muito controverso processo de restruturação desse Posto de Comando.
Como comentário irónico, diremos apenas que, dadas as características das Forças que ocupam o Quartel da Pontinha, o Governo se mantém coerente com as atitudes que vem protagonizando: Não podendo apagar a História do 25 de Abril, há que colocá-lo numa Prisão…
Porque continuamos convictos de que é fundamental para a História de Portugal dar testemunho do 25 de Abril – a começar nas condições do País que o justificaram e a terminar na explicação do processo que fundou e consolidou em Portugal um Estado de Liberdade, de Paz, de Direito, Democrático e mais Igual e Justo – não deixaremos de pugnar pela implementação de um Centro Interpretativo do 25 de Abril, em local compatível com o anteriormente previsto, onde as actuais e futuras gerações possam conhecer um dos acontecimentos mais relevantes na nossa História.
Confiamos que o actual Presidente da República consiga impor este nosso desejo, ultrapassando os obstáculos que o seu antecessor, apesar da sua vontade, não conseguiu ultrapassar.
Em anexo juntamos o Comunicado difundido em 18 de Setembro de 2025.
O Presidente da Direcção
Vasco Lourenço
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