EDITORIAL: ESTADO AMPUTADO OU ESTADO ABOLIDO?

Diário de Bordo - II

A Catarina Martins disse anteontem na AR tudo o que é preciso sobre a actual governação: ponham-se a andar. Não é preciso dizer mais nada. O que é preciso é fazer. Passos/Portas/Gaspar têm de ser mandados embora. A Catarina pôs claramente o problema. Claro que ela sozinha não consegue expulsá-los do governo. Nem o seu partido, ou os partidos de esquerda só por eles. Tem de haver uma enorme mobilização da sociedade para o conseguir. E tem de ser rápida porque os senhores estão de cabeça perdida a dar cabo de nós. E parece que contam com importantes ajudas. Ter o FMI a fazer de gabinete técnico de apoio não é para qualquer um, ainda menos quando se proferem asneiras tão grandes. E parece que agora estão a recrutar a OCDE. A Comissão Europeia já veio com as iniquidades do costume. Entre amigos, já se sabe como é.

O derrube do governo vai realmente ser difícil, mas é muito urgente, repete-se. E não é descabido avisar do seguinte: partindo da suposição, sem dúvida que optimista, de que se vai conseguir vencer rapidamente essa etapa imprescindível, é preciso preparar já um plano para o que se segue. Um plano assente em ideias claras. Qualquer pessoa de juízo vê que será necessário tomar medidas urgentíssimas, nos campos financeiro e económico. Acabar com a sangria que os bancos nos estão a fazer, para o será preciso nacionalizá-los, e agora terá de ser de vez, o que falhou em 1975. Acabar com a especulação financeira. Portugal não aguenta (não aguenta, não!) estar nas mãos de uma bolsa de valores, facto para que muita gente insuspeita de esquerdismo já chamou a atenção.  Relançar a produção agrícola e industrial, mas muito urgentemente. Acabar com as portagens, e os mecanismos de concentração financeira que lhes estão subjacentes. Pôr em marcha um apoio de emergência para tanta gente em situação de catástrofe. Preparar uma revisão total dos chamados negócios estrangeiros.

Um cronista do Correio da Manhã, que parece bastante clarividente, Armando Esteves Pereira, referiu-se à política de Passos/Portas/Gaspar como estando a usar uma terapêutica de amputação em relação ao Estado. Para tratarem aquilo a que se convencionou chamar a obesidade, resultante dos disparates de gestão acumulados em sucessivos governos, resolveram amputar o Estado Social. A observação de Armando Esteves Pereira é exacta, mas é preciso acentuar que nem o mais puro estado policial ou carcerário conseguiria deixar de ter uma componente social, por muito má que fosse. A perfeita loucura que domina os actuais governantes leva-os a destruir tudo à volta, sem sequer pensarem em quem vai reconstruir alguma coisa quando tiverem acabado. Pois, eles acham que estão bem. Em muitos sectores da vida nacional será preciso partir do zero, e noutros vencer as cliques que instalaram.

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