AIRAS NUNES
(séc. XIII)
Bailemos nós já todas tres, ai amigas,
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quem for velida como nós, velidas,
se amigo amar,
so aquestas avelaneiras frolidas
verra bailar.
Bailemos nós já todas tres, ai irmanas,
so aqueste ramo destas avelanas,
e quem for louçana como nós, louçanas,
se amigo amar,
so aqueste ramo destas avelanas
verra bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos,
so aqueste ramo frolido bailemos,
e quem bem parecer como nós parecemos,
se amigo amar,
so aqueste ramo sol que nós bailemos
verra bailar.
Clérigo, provavelmente galego, ao serviço de um bispo da Galiza, e mais tarde (1284-1289) na corte de D. Sancho IV de Castela. José Afonso musicou e cantou “Bailemos, agora, por Deus, ai velidas”, canção formada pelo cruzamento desta cantiga com outra de Joam Zorro. Mas o texto de Airas Nunes era já uma reelaboração a partir da estrofe inicial da cantiga de J. Zorro.
Glossário: “so”: sob, debaixo de; “mentr’al nom fazemos”: enquanto não fazemos outra coisa; “sol que”: contanto que.

