POESIA AO AMANHECER – 116 – por Manuel Simões

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AIRAS NUNES

(séc. XIII)

Bailemos nós já todas tres, ai amigas,

so aquestas avelaneiras frolidas,

e quem for velida como nós, velidas,

                se amigo amar,

so aquestas avelaneiras frolidas

                  verra bailar.

Bailemos nós já todas tres, ai irmanas,

so aqueste ramo destas avelanas,

e quem for louçana como nós, louçanas,

              se amigo amar,

so aqueste ramo destas avelanas

             verra bailar.

Por Deus, ai amigas, mentr’al nom fazemos,

so aqueste ramo frolido bailemos,

e quem bem parecer como nós parecemos,

            se amigo amar,

so aqueste ramo sol que nós bailemos

           verra bailar.

Clérigo, provavelmente galego, ao serviço de um bispo da Galiza, e mais tarde (1284-1289) na corte de D. Sancho IV de Castela. José Afonso musicou e cantou “Bailemos, agora, por Deus, ai velidas”, canção formada pelo cruzamento desta cantiga com outra de Joam Zorro. Mas o texto de Airas Nunes era já uma reelaboração a partir da estrofe inicial da cantiga de J. Zorro.

Glossário: “so”: sob, debaixo de; “mentr’al nom fazemos”: enquanto não fazemos outra coisa; “sol que”: contanto que.

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