

O Cais de Aldeia Galega foi o equipamento mais importante para a vida do concelho.
A Sede da Mala Posta foi inaugurada em Aldeia Galega em 1533 e por aqui passava todo o correio e passageiros em barcos que atravessavam o Rio vindos de Lisboa e que atracavam no Cais de Aldeia Galega, para seguirem para o Sul do país e para o estrangeiro.
Todos os dias chegavam ao cais dezenas de carros puxados por animais que transportavam pessoas e mercadorias e passavam em trânsito por aqui para atravessarem o Rio em barcos de uma margem para outra. Cerca de 10.000 carros e 50.000 pessoas por ano.
Aldeia Galega era uma Vila muito importante, por ser sede da Mala Posta, por fazer a ponte de todo o movimento do Alentejo para e de Lisboa, mas também por ser local de passagem para estrangeiros que vindos de Espanha, queriam chegar a Lisboa, capital do país e uma das grandes capitais da Europa nos fins do século XV e século XVI.
Os Reis e a Corte quando iam para o palácio de Vila Viçosa, para a Falcoaria ou quando iam a Espanha, participar em casamentos reais, também utilizavam o cais de Aldeia Galega.
.Em 1709 o Padre António Carvalho da Costa, relatava que Aldeia Galega, tinha um cais de cantaria dos melhores do Riba-Tejo, nove estalagens do melhor que havia no Reino e dezoito botes, o que dá bem a ideia do movimento que passava pelo cais.
Na segunda metade do século XIX Aldeia Galega sofreu uma grave crise que aliás se estendia a todo país, provocada pelas invasões francesas e por guerras civis. Em 1853 o Governo decretou que se ia construir o caminho de ferro e as obras tiveram o seu inicio em 1855.
Sem a existência do caminho de ferro o movimento do Alentejo, dos estrangeiros e das comitivas reais, deixaram de se fazer por aqui. Muita gente pensou que com a crise generalizada e a perda do movimento do Alentejo, poderia originar a ruína completa da Vila.
Em 1908 a Câmara decidiu fazer uma grande reparação no Cais e na caldeira de limpeza dos lodos.
.Na primeira metade do século XX, o concelho atingiu os 30.000 habitantes. Por essa época, já não se pensava no trânsito de pessoas e mercadorias, vendíamos para Lisboa todos os produtos que produzíamos, exportávamos cortiça para todo o mundo, azeite para o Canadá, E.U.A. e Brasil, enchidos para África, batatas e outros produtos da agricultura para a Europa. No centro de Paris estavam à venda ostras do Montijo.
Foi nesta época que o cais atingiu o máximo do seu movimento. Todos os dias atracavam dezenas de fragatas que transportavam os nossos produtos para Lisboa e para os navios que os levavam para o estrangeiro.
Nos anos sessenta a Câmara mandou aterrar a caldeira de limpeza dos lodos do Cais.
Depois do 25 de Abril de 1974, a Comissão Administrativa da Câmara aprovou por unanimidade uma proposta para que o Cais fosse aterrado, o que não aconteceu por falta de verba.
A memória colectiva da nossa comunidade, a nossa identidade e as nossas raízes mais profundas, estão desde sempre ligadas ao Rio Tejo e ao Cais de embarque e desembarque secular de mercadorias e passageiros, fazendo ponte entre as duas margens.
Em 2006 iniciou-se uma grande obra de toda a zona ribeirinha entre o moinho de maré e o cais dos vapores que foi inaugurada em 2007 e que incluiu a conservação do cais de Aldeia Galega e a construção de uma nova caldeira de limpeza dos lodos.
O sistema de limpeza de lodos do cais por correntes de arrastamento é igual aquele que funcionou durante séculos.
A caldeira para limpeza do cais, serve também como bacia de retenção das águas da chuva, quando a maré está cheia e assim se consegue evitar as cheias na zona antiga da cidade.

Fernão Lopes, embora morasse em Lisboa, em Alfama, teve casa em Aldeia Galega. Ali teve duas pequenas propriedades. quando Guarda-Mor da Torre do Tombo.