O desejo de novas experiências, a eterna procura da tão desejada felicidade, uma maior liberdade, uma informação mais alargada e, até há pouco tempo, um razoável poder económico da classe média, acarretaram mudanças profundas nas Instituições.
A família tem sido das que mais mudanças tem tido: os casais a viver em união de facto, as famílias monoparentais, as uniões de homossexuais legalizadas ou mesmo os casamentos, os casamentos tardios, os casais que casam de novo, uma duas, três, quatro ou mais vezes, e que levam consigo filhos de anteriores casamentos. Estas mudanças estão a desagregar o tradicional conceito de família e a fazer com que haja uma atitude diferente dos pais na educação dos filhos.
Mas, as mentalidades não parecem ter evoluído ao mesmo ritmo das mudanças. Não se está a assistir a uma maior autoafirmação das pessoas! O quadro de valores do passado, que se foi alicerçando ao longo de séculos, condiciona os indivíduos.
Se o leitor me permite um aparte, direi que o comportamento típico de uma formiga só pode ser observado numa comunidade de formigas. Ora perante a pressão em que se vive, a insegurança, a mudança de valores, a incansável procura do sucesso ou, nalguns casos, da sobrevivência económica, as pessoas não conseguem ter um domínio de si próprias. Daí que volte novamente ao aparte, desta vez para dizer que elas se sentem uma espécie de formigas fora do formigueiro!
Entregam-se por isso a qualquer grupo que lhes dê segurança, fazendo o que for necessário para permanecerem nele, ainda que muitas vezes o que fazem lhes pareça inconcebível! Por exemplo, na politica, são capazes de apoiar religiosamente e sem reservas um líder e poucos dias depois, se a conveniência o justificar, apoiar outro, igualmente sem reservas, que se oponha completamente à estratégia do anterior.
Daí que a visão que muitos têm do mundo seja a de uma sociedade frágil, incerta, imprevisível. Para que a vida das pessoas não se assemelhe a convenções dramáticas ou até ficções comparáveis ao teatro, ao circo, ou ao carnaval, necessita-se urgentemente de atores com liberdade, que tomem as opções que queiram seguir, mas onde o desempenho dos papéis esteja de acordo com as suas caraterísticas, as condições de que dispõem, e o domínio de si próprios.
