EDITORIAL – DA AMEAÇA ISLÂMICA AO OBSCURANTISMO CRISTÃO (OU VICE-VERSA)

Imagem2Há dias atrás, recebemos de um amigo um vídeo onde se afirmava que, salvo erro, dentro de 27 anos, a Europa será maioritariamente islâmica. Isto seria provocado pela recessão demográfica devida à baixa taxa de natalidade dos países europeus e ao exponencial aumento da imigração de crentes do Islão que chegam à Europa aos milhares e que apresentam taxas de natalidade elevadíssimas. O vídeo era recheado de estatísticas e a sua mensagem tremendista baseava-se na projecção dessas estatísticas no futuro. Pareceu-nos uma manipulação de números, mas não pudemos averiguar até que ponto os pressupostos em que assentavam as conclusões eram ou não fiáveis.

Não se pode desvalorizar o drama que seria para as sociedades europeias o ficarem sujeitas ao obscurantismo imposto por um clero islâmico fanático, integrista, intolerante. Gente que criou uma sociedade disfuncional e que procura conciliar o inconciliável – usufruir das conquistas da ciência, da técnica e da tecnologia ocidentais e. ao mesmo tempo, manter princípios morais que à luz do sistema de vida ocidental, surgem como retrógrados, quando não mesmo imorais. Obrigar europeus a voltar à sua Idade Média, seria um trauma de uma dimensão insuportável.

A questão que queremos pôr é a de que, devendo defender-nos dessa hipotética e catastrofista previsão, não devemos esquecer que estamos há quase dois mil anos a ser constrangidos pelo obscurantismo católico. Ou seja, o eventual advento do islamismo não seria uma passagem da luz para a escuridão. Seria uma transição de uma névoa espessa para outra ainda mais densa. As igrejas cristãs, particularmente a Católica, estão ao serviço de uma sociedade que faz da injustiça a sua razão de ser. Em matéria de corrupção a hierarquia superior da Igreja Católica está uns séculos à frente da cleresia islâmica. O escândalo que o The Guardian está a revelar, sobre o império financeiro construído pelo Vaticano com as doações de Mussolini é apenas um caso entre muitos. Pio XI foi um cúmplice do fascismo e o papa que lhe sucedeu, Pio XII, Eugenio Pacelli, manteve com Adolf Hitler e com Benito Mussolini as melhores relações.  Podemos andar para trás ou para a frente na História – a Igreja Católica Apostólica Romana está sempre do lado dos poderosos, dos vencedores. O Islão é uma ameaça, sem dúvida – uma ameaça à liberdade de nos podermos exprimir livremente – porque a Igreja compreendeu que a liberdade de expressão não lhe afecta o negócio.  Percebeu que o fanatismo era mau para o negócio.  Tanto se lhe dá que sejamos crentes ou não. Porém, a defesa contra o Islão não pode fazer-se em nome de princípios religiosos. Tem de fazer-se em nome da liberdade de cada um escolher  a religião que quiser (incluindo a islâmica) ou de não escolher nenhuma. De tarados fanáticos, já temos a dose que baste.

 

 

 

 

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