ESCRITO NA AREIA… OU TALVEZ NÃO – VERDADES E MENTIRAS, AINDA SE DIFERENCIAM?- por António Mão de Ferro

Ainda não há muitos anos que um dirigente desportivo disse que o que hoje é verdade amanhã é mentira. Na altura foi considerado motivo de risos. E pior ainda, revelador da falta de regras que na altura imperavam no futebol. Imperavam na altura, e agora? Fique o leitor descansado que não vou falar sobre futebol. Mas não posso deixar de dizer que não passaram muitos anos e infelizmente, hoje, a verdade que é dita num dia, nem sequer chega ao dia seguinte! Agora diz-se uma “verdade”, para passado muito pouco tempo deixar de o ser e passar a ser o seu contrário. Desta vez já não só dita por dirigentes desportivos, mas por aqueles que governam o País, e que têm obrigação de ponderar o que dizem. De um dirigente desportivo, ainda se podia tolerar, mas de governantes?!

Não estranho por isso ter lido algures a história de um visionário que quanto mais acreditava nas sua versão mais hipóteses lhe atribuía de poder estar errada. Embora pareça um paradoxo talvez não o seja. Se pensarmos bem, a história do visionário tem uma certa razão de ser e neste momento já não por causa do dirigente desportivo, nem do governo, que não são o melhor exemplo para quem quer empreender com dignidade, mas porque ao insistir-se demasiado num ponto de vista, maiores são as hipóteses de se bloquearem outros modos de atuar.

Parece ter-se chegado a um ponto em que é importante que quem decide ouça  pessoas que não concordam com aquilo em que ele acredita. Isso não é muito propício à maneira de pensar de muitos dirigentes, porque sempre gostaram de se rodear de yes men que concordem com o que eles dizem e elogiem as suas “brilhantes ideias”.

Há quem argumente que não se pode perder tempo a tomar decisões pois o mercado hoje em dia move-se com uma velocidade tal que a falta de agilidade pode fazer perder muitos negócios. As decisões de longo prazo terão de ser tomadas no tempo em que se tomavam as de curto prazo, daí que não convenha perder tempo no confronto de opiniões.

Não pretendo criticar as ideias e opções de cada um, correm-se riscos quando se muda ou não muda, se inova ou não inova. Contudo uma coisa parece certa, a rotina convive mal com a fase em que vivemos. São necessários confrontos de opinião,  novos conceitos, novas ferramentas de gestão que por sua vez exigem mudanças constantes. Daí a importância de pôr em causa maneiras de estar e de fazer para a obtenção de novos resultados.

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