TEATRO SALVADOR MARQUES, em Alhandra – petição

  press release - I

Petição pelo Reconhecimento do Teatro Salvador Marques como Património de Interesse Municipal

Informamos, que está a decorrer uma petição pelo Reconhecimento do Teatro Salvador Marques, como Património de Interesse Municipal. A petição pode ser encontrada online ou brevemente por todo o concelho em Papel.
Petição:  http://www.peticaopublica.com/?pi=TSM2013

Esta petição pretende que seja dado o devido valor ao Teatro Salvador Marques, através da classificação deste imóvel como  Património de Interesse Municipal, por parte da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira (CMVFX), sendo esta uma das últimas esperanças para que o nosso concelho tenha o Teatro Salvador Marques de volta.
Lembramos que em 2000, num processo de pedido de classificação deste edifício por parte da CMVFX ao antigo IPPAR – Instituto Português do Património Cultural (actualmente IGESPAR), este instituto sugeriu a esta edilidade que «seja ponderada para o imóvel a classificação de interesse municipal, iniciativa a promover pelo município, ao abrigo da Lei n.º 159/99».
O IPPAR reconheceu que «o móbil da sua recuperação, nos termos em que nos foi apresentado, nos parece uma atitude de indiscutível mérito. Na verdade, proceder à reabilitação global do edifício, com o intuito de o devolver no seu ambiente original, e permitir a sua plena fruição como sala de actividades culturais – nomeadamente espectáculos de teatro –, é algo que nos apraz registar», destacando, ainda, «o facto do projecto de recuperação se poder constituir numa mais-valia urbana – muito para além da recuperação do imóvel em si –, pelo facto da sua localização se revestir de carácter excepcional – no topo do jardim público, em local sobranceiro ao Rio Tejo –, reassumindo um forte simbolismo como edifício público e como elemento catalisador numa dinâmica que se pretende imprimir ao núcleo urbano original de Alhandra.».
O IPPAR refere-se à lei 159/99, art.º 13 alínea e) e art.º 20 n.º 2, que regula o quadro de transferência de atribuições e competências para as autarquias locais, destacando que as Câmaras devem «Proceder à classificação de imóveis conjuntos ou sítios considerados de interesse municipal e assegurar a sua manutenção e recuperação» é «da competência dos órgãos municipais o planeamento, a gestão e a realização de investimentos públicos» dos «Centros de cultura, centros de ciência, bibliotecas, teatros e museus municipais (…) Património cultural, paisagístico e urbanístico do município»
Assim, se a CMVFX reconhecer o TSM como Património de Interesse Municipal é obrigada a assegurar a sua manutenção e recuperação, quando referimos à recuperação remetemos automaticamente para a sua reabilitação e não demolição.

É de salientar a importância desta causa, a importância de ter uma comunidade coesa, especialmente nos tempos difíceis que se atravessa, poder-se verificar que o espírito que esteve na origem deste Teatro, da sua expressão cultural e afectiva, continuam presentes nos comentários e nas memórias que todos os dias chegam através da página ou mesmo da própria petição.
Caso disto, é um dos comentários mais marcantes vindo de um dos descendentes do próprio Salvador Marques, que deixou as seguintes palavras: “Em nome da família e como descendente directo de João Salvador Marques da Silva, agradeço e louvo a iniciativa. Trata-se de uma luta justa e digna quiçá contra interesses económicos poderosos mas é assim que o povo mais ordena. Luís Salvador Marques da Silva”
Apesar de já ser uma vontade antiga, desde os tempos da antiga ADAPAAssociação de Defesa do Ambiente e Património do Concelho de Vila Franca de Xira (na forma do seu Núcleo de Alhandra, entre 1992/1993), e mais recentemente da CRTSMComissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques (desde 2005). Graças às novas tecnologias,existe agora a possibilidade de chegar a mais gente de todo o concelho (e não só), sendo que muitas das pessoas que antes não podiam dar a sua opinião têm agora a oportunidade de se juntar a esta causa: defender o nosso património cultural, actualmente não apenas único em Alhandra, mas também a nível de todo Concelho de Vila Franca de Xira e arredores.
Esta Petição nasceu assim de uma grande vontade colectiva – a vontade que as pessoas têm de ver os seus teatros de novo abertos, e que ao Teatro Salvador Marques dêem o devido valor por aquilo que ele é, por aquilo que ele já foi e por aquilo que ele poderá ainda vir a ser. Acima de tudo pretende-se manter os valores do passado, se bem que com as necessárias actualizações do presente, obter um espaço de expressão cultural, que permita ser um exemplo para este Concelho (Vila Franca de Xira), mas não só, visto que o Teatro Salvador Marques é também um marco único da história contemporânea do nosso país.
Luta-se para que não seja mais um edifício a ser demolido, de forma, a dar origem a um qualquer investimento imobiliário, completamente díspar da realidade onde se encontra inserido. Este Teatro faz  parte da história e tradição deste Concelho, e é pretendido fazer a transição/transmissão dos valores da sua fundação para o “nosso” futuro comunitário.
Neste sentido, a Petição pelo Reconhecimento do Teatro Salvador Marques como Património de Interesse Municipal, pode ser encontrada online em: http://www.peticaopublica.com/?pi=TSM2013.

É extremamente importante dar a conhecer esta causa, não deixe que este nosso Teatro Salvador Marques caia de Esquecimento. Contamos com o vosso apoio na divulgação e recolha de assinaturas.

Caso necessite de mais informações, não hesite em nos contactar para o seguinte endereço de e-mail: teatro.salvador.marques@gmail.com

Atenciosamente,
Diana Martins
Casimiro Gonçalves
Comissão para a Reabilitação do Teatro Salvador Marques
2600-461 ALHANDRA
E-mail: mailto:teatro.salvador.marques@gmail.com?subject=PR TSM – Petiçao
Facebook: http://www.facebook.com/teatrosalvadormarques
Site: http://teatrosmarques.no.sapo.pt/galeria_fotos.htm
Petição: http://www.peticaopublica.com/?pi=TSM2013

Breve História

A história da arte teatral em Alhandra remonta a 1865, com o Teatro Thália Alhandrense, que começou a ser construído graças à iniciativa de homens como a notável figura de Salvador Marques que à época vivia em Alhandra. Contudo
devido à grande afluência de público que a este teatro acorria, cedo sentiu-se a necessidade da construção de um novo edifício que albergasse tanta frequência. Assim em 1886 que é iniciada a construção de um novo e amplo Teatro que teria o nome de Teatro Salvador Marques, em homenagem a esta notável figura da arte dramática Alhandrenses.

Salvador Marques teve uma forte influência em Alhandra do seu tempo. Foi ele o grande impulsionador da liberalização da cultura junto da população desta Vila, quer pelo seu próprio pulso, quer influenciando as práticas culturais dos membros da elite letrada. Instruindo os Alhandrenses através da diversão, usando as artes de Thália como meio de divulgação dos valores de civilidade.

No entanto, a obra inicial de construção do Teatro Salvador Marques esteve parada durante cerca de 20 anos, sendo somente inaugurado em Abril de 1905, pelo incentivo dado pelas mão de um homem que felizmente ainda hoje é lembrado pelos Alhandrenses, que em 1900 veio viver para Alhandra, e que daria um novo e derradeiro arranque às obras deste Teatro: Francisco Filipe dos Reis.

Salvador Marques não compareceu, em 1905, à inauguração deste edifico devido a motivos de saúde, fazendo-se, no entanto, representar por um dos seus filhos: Luís Salvador Marques (conhecido cenógrafo do inicio do séc. XX). Salvador Marques
acabaria por falecer em Lisboa, em 1907, mas ciente desta homenagem que os Alhandrenses a ele lhe dirigiram.
Características

Arquitectura de estilo neoclássico, de raiz italiana, e de interior ricamente decorado (tendo um pano de boca de cena da autoria de Veloso Salgado), esta casa de espectáculos na sua tipologia é um derivado inspirado no Teatro D. Maria II em Lisboa. O seu Salão Nobre, outrora ricamente decorado com pinturas e bons estucados, de dupla altura (característica denunciadora do seu derivado do Teatro D. Maria II), permite relações visuais e espaciais entre diferentes níveis.
Tem grossas paredes de alvenaria, asnas de madeira, tabiques e estafes que marcam toda a estrutura deste Teatro. O interior da sua Sala de Espetáculos, em forma de “U” (característica dos teatros de raiz italiana), é actualmente composta por balcão, plateia e duas ordens de camarotes laterais. Num misto de formas lineares e curvilíneas, das elaboradas guardas em ferro forjado das suas duas ordens de camarotes e frisas, esta Sala de Espectáculos tem uma particular e exuberante elegância. No tecto desta Sala, de lotação de 400 lugares de plateia e 30 lugares de camarotes, a partir do centro expandem-se raios pintados de branco e azul celeste (já não sendo o original). Por fim, esta Sala é ao centro assinalada por um grande candeeiro/ lustre (foco luminoso central).
Em tempos, este Teatro dispunha ainda de um Restaurante ou Buffet no piso térreo (do lado direito de quem entra neste edifício), que foi depois substituído por um pequeno Bar instalado no Salão Nobre.

O Teatro Salvador Marques é hoje, exemplar único de toda uma arquitectura do espectáculo que outrora existiu no concelho de Vila Franca de Xira: a última prova viva do tempo do surgimento dos principais movimentos associativos e culturais de uma época (quando se fundaram localmente a Sociedade Euterpe, o Clube Republicano, os Bombeiros Voluntários), tornando-se como que um símbolo presente, de uma Alhandra que floresceu nos finais do século XIX e inícios do século XX.

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