POESIA AO AMANHECER – 186 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO FEIJÓ

(1859 – 1917)

O AMOR E O TEMPO

Pela montanha alcantilada

todos quatro em alegre companhia,

o Amor, o Tempo, a minha Amada

e eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante

já se viam indícios de cansaço;

o Amor passava-nos adiante

e o Tempo acelerava o passo.

– «Amor! Amor! mais devagar!

Não corras tanto assim, que tão ligeira

não pode com certeza caminhar

a minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,

abrem as asas trémulas ao vento…

– «Porque voais assim tão apressados?

Onde vos dirigis?» – Nesse momento,

volta-se o Amor e diz com azedume:

– «Tende paciência, amigos meus!

Eu sempre tive este costume

de fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»

(de “Sol de Inverno”)

Discípulo do parnasianismo francês que se opunha ao intimismo dos autores ultra-românticos, passou de um certo exotismo de circunstância (“Líricas e Bucólias”, 1883) à nostalgia da pátria, experimentada como diplomata na Suécia: “Ilha dos Amores” (1894) e “Sol de Inverno” (1922, ed. póstuma).

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