Todo o ser humano constrói, ao longo da sua vida, um quadro conceptual que utiliza, ainda que de forma inconsciente, para se relacionar com os outros, avaliando e reagindo aos estímulos externos de acordo com um conjunto de ideias pré-concebidas, ou, se quiser, pré-adquiridas.
Se por um lado essa forma única que todos temos de encarar o mundo nos permite fazer frente aos desafios do dia-a-dia com maior confiança, uma vez que recorre a vivências e aprendizagens, pode, por outro lado, produzir entropia, sempre que o quadro conceptual do interlocutor seja diferente do nosso. Ou, sendo semelhante, não corresponda as expetativas com que partimos. Por exemplo, quantas vezes a assistência de uma conferência toma nota não do que o orador está a dizer, mas no que pensa que ele quis dizer e que muitas vezes não tem a mínima semelhança com o que disse.
Se no final de uma aula um professor pedir aos alunos para ver o que escreveram nos seus cadernos vai ter de certeza uma grande surpresa. E se for um bom profissional não deixará de refletir sobre o que leu para chegar de forma mais rigorosa a quem o ouve. Em suma para comunicar de modo mais eficaz.
Porém esta maneira de percecionar, não é nova. Já cinco séculos a.c. Xenófones de Colofon, na Jónia, atual Costa Ocidental da Turquia, baseando-se na variedade extrema dos modos dos diferentes povos imaginarem os seus deuses, referia que se os bois, os cavalos e os leões tivessem mãos e pudessem desenhar com elas e executar obras como os homens, os bois desenhariam figuras de deuses semelhantes a bois, os cavalos semelhantes a cavalos e os leões semelhantes a leões e dariam aos seus corpos as próprias formas que uns e outros têm.
Com a educação também acontecem coisas curiosas. Todos os que sobre ela se debruçam estão de acordo que a sua evolução só pode ser encarada se for de encontro à realidade social em que age, mas a referência a essa sociedade parece quase ter-se tornado uma “cláusula ritual de estilo”.
Não se pode ignorar que as caraterísticas da sociedade a que é feita referência são selecionadas a bel-prazer de cada autor e de acordo com o pensamento a que está ligado.
Cada autor representa o seu papel na ação cujo desenvolvimento procura prever e é sobre essa forma alegórica que a sociedade está em ação.
Como poderá a educação ser desenhada de outra forma?

