USAR O PODER – por António Mão de Ferro

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Há alguns anos estávamos longe de imaginar que iria haver um retrocesso no nível de vida e que se ia chegar ao ponto em que estamos, em que há pessoas a viver no limiar do que é aceitável. Não tivesse a taxa Euribor descido para valores baixíssimos e a vida de um grande número de pessoas, seria ainda muito mais dramática.

Os diversos governos não têm sabido dar a volta à situação e o desespero em que as pessoas se encontram leva-as a votar no partido que está na oposição e em melhores condições para poder formar governo. Não se procura votar no que é melhor pois quer-se a todo o custo votar no outro, no mesmo é que nunca!

Mas… passado pouco tempo verifica-se que a situação se encontra na mesma ou ainda pior, o que significa que o governo não tem todo o poder para alterar as circunstâncias. Talvez por isso faça sentido citarmos Roland Barthes.

Roland Barthes, no seu livrinho “A Lição”, Edições 70, diz “a inocência moderna fala do poder como se ele fosse apenas um. De um lado os que o têm do outro os que o não têm.” E continua, “pensámos que o poder era um assunto exemplarmente político, acreditamos agora que também é um objeto ideológico, que se insinua por todo o lado, por onde não é inteira e imediatamente captado, nas instituições, no ensino, mas em suma que é sempre um”.

E o autor pergunta de seguida: “E se todavia o poder fosse plural, como os demónios? O meu nome é legião poderia ele dizer: por toda a parte, de todos os lados, chefes, aparelhos enormes ou minúsculos, grupos de opressão ou de pressão; por todo o lado vozes “autorizadas” que se autorizam a impor o discurso de qualquer poder, o discurso da arrogância”.

E Barthes continua: “e quando adivinhamos que o poder está presente nos mecanismos mais subtis da comunicação social, não apenas no estado, nas classes, nos grupos, mas ainda nas modas, nas opiniões correntes, nos espetáculos, jogos, desportos, informações, nas relações familiares e privadas e até nas forças libertadoras que tentam contestá-lo”.

Interessante sem dúvida esta maneira de analisar o poder. Vale a pena refletir sobre ela, na conjuntura em que se vive.

Pensar que não se tem só o poder de votar, ou de só analisar o que os outros dizem mas que também se tem o poder para encontrar alternativas, para sacudir o marasmo em que as pessoas e as organizações vivem. Se a pessoa se deixa ir acaba por não chegar a lugar nenhum, sem ser o do cruzar os braços.

Se pensarmos que podemos dispor de poder, podemos fazer muito mais do que só mudar o governo e contribuir para a mudança daquilo que nos condiciona os movimentos. E se começássemos por exercer o poder de fazer mudanças no nosso local de trabalho?!

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