GIRO DO HORIZONTE – PAULO PORTAS – por Pedro de Pezarat Correia

10550902_MvCyL[1]Vou ser breve, até porque, confesso, a figura me incomoda e não justifica o tempo que com ela se perde e a tinta que consome. Aliás nem é tanto a figura que me traz aqui, mas a minha incomodidade pelas perplexidades que as suas piruetas ainda suscitam em tanta gente, nomeadamente nos órgãos de informação.

A quantidade de gente que se admirou, que analisou, que interpretou, que criticou, que comentou a facilidade e a rapidez com que Paulo Portas (PP) deixou cair a fronteira que não poderia deixar passar, da sobrecarganas pensões dos aposentados, do papel dos idosos numa sociedade empobrecida, do risco do cisma grizalho, anda distraída. Será que alguém neste país, nomeadamente entre os mais informados que devem ser os trabalhadores da comunicação social, ainda leva a sério as poses artificiais e encenadas, os discursos carregados de formalismospara dar títulos de primeiras páginas, de frases feitas e ornados de sound bitespara abrir telejornais, que são negados, traídos, esvaziados no dia seguinte?

Não me canso de lembrar e tenho-o feito várias vezes. Sem grande resultado, mas insisto. As pessoas já não recordam as acusações insólitas, pérfidas, maquiavélicas, que o jóvem mas já ambicioso PP teciaquando jornalista do semanário “Independente”, vazias de qualquer preocupação de ordem ética ou moral?

As pessoas não têm memória das manobras, das intrigas, das traições, das “sacanices” para falar bom português, com que PP brindava os dirigentes do seu partido, de quem se afirmava colaborador próximo e dedicado conselheiro, abrindo caminho até se tornar presidente do partido?

As pessoas esqueceram que PP foi o dirigente partidário que, quando da morte de Jonas Savimbiem combate com forças do exércitoa ngolano, como a própria UNITA assumiu em comunicado, classificou o acontecimento como um assassinato, assim insultando todos os militares, de qualquer país e de qualquer exército, todos os que são susceptíveis de se envolverem em acções de combate e que, para PP, são assassinos consumados ou potenciais? Pois tal não impediu que viesse, pouco depois, a ser nomeado ministro da defesa do governo de Portugal, tutelando os militares portugueses, a quempoderia exigir que viessem a envolver-se em acções potencialmente assassinas.

As pessoas não se lembram que, enquanto ministro da defesa, depois de uma visita de Estado aos EUA, PPdeclarou publicamente ter visto provas insofismáveis da existência de armas de destruição massiva no Iraque, assim exibindo argumentos falsos para o governo de Durão Barroso apoiar a dupla Bush-Blair na guerra de agressão ao Iraqueque, com base numa fraude, viria a revelar-se funesta e desastrosa? Pois tal também não evitou que PP voltasse a ser nomeado ministro do governo de Portugal, agora dos negócios estrangeiros, isto é, o intérprete e garante da credibilidade do país junto dos parceiros e das instâncias internacionais.

As pessoas já perderam o rasto às afirmações e desmentidos, às promessas e distanciamentos, aos silêncios e ausências, às fintas e golpes de rins, que tem sido a imagem de marca de PP neste desgoverno de Passos Coelho? A constante inflação da crise política para depois invocar o risco da crise política como justificação para recuar nas suas posições.

Como se compreender, então, o clamor levantado pela última pirueta, numa comunicação social que tem sido de enorme complacência e benevolência, às vezes mesmo reverência, com PP?

E o povo português, a maioria do povo português, também tem de tomar consciência de que basta de sentir-se enganado. Os portugueses são responsáveis pelas decisões políticas que, soberanamente, tomam em democracia. Tinham todos os elementos para conhecerem quem iam escolher e o preço que significava confiarem e delegarem poder em quem já provou não ter carácter.

Tenham bem em conta que este indivíduo está a preparar o terreno, passo a passo, para vir a ser o parceiro “indispensável” num próximo governo de maioria PS. Ele conta com a falta de memória dos portugueses.

13 de Maio de 2013

1 Comment

  1. Meu Caro General,
    Tenho de felicitá-lo pelo seu texto cujo último paragrafo dá conta dos males que parece estarem a avizinhar-se. Tal como o meu Amigo só vejo nas parvoeiras do Portas a sua preparação para poder apresentar-se como uma bengala do “Inseguro”.
    Quem deve interpor-se a estas manobras? A População que não aceita o “statu quo” está muito mal protegida. Sou de opinião que deve começar a manifestar mais confiança em quem já nos libertou doutra camarilha. Cumprimentos do CLV

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