O QUE FOI A “DIVISÃO AZUL” – para melhor compreender o simbolismo da homenagem prestada em Barcelona

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É já um lugar-comum a afirmação de que a Guerra Civil de Espanha foi o ensaio geral para o conflito que Hitler e Mussolini projectavam. A ajuda de Alemanha e Itália foi decisiva para a vitória franquista. Portugal foi um parceiro discreto, mas importante, pois o território português constituiu uma plataforma logística permanente para as forças ditas «nacionalistas». No que se refere à Alemanha, a ajuda mais visível terá sido a intervenção da aviação germânica. Foi Hermann Göering,  comandante da Luftwaffe, quem a sugeriu a Hitler que se aproveitasse o ensejo para testar a aviação alemã numa guerra convencional. E em Novembro de 1936 os primeiros homens da Legião Condor, cerca de 700, desembaraçavam em Sevilha. Mas ao longo do conflito, a Alemanha envolveria nos combates cinco mil aviadores, unidades blindadas, artilharia e uma força de infantaria auto-transportada, atingindo um total de 15 mil homens. Por isso, Guernica e Oviedo, por exemplo, experimentaram antes de qualquer outra cidade europeia, o horror dos famosos “tapetes de bombas”.

Imagem2Era esta dívida que,   quando meses depois de terminada a guerra civil, Hitler desencadeou a II   Guerra Mundial, Franco tinha para pagar. E assim, entre 1941 e 1943, a 250. Einheit spanischer Freiwilliger da Wehrmacht, a Divisão Azul,   unidade de voluntários espanhóis interveio,   integrada no exército alemão, sobretudo na frente oriental, na Rússia e na   Polónia. O governo português, formalmente neutral, autorizou a integração de voluntários   portugueses na Divisão Azul. Como aliás tinha feito com o contingente de “viriatos”   , os voluntários portugueses que lutaram em Espanha contra as forças da República.

Foi Serrano Suñer, ministro das   relações exteriores dos franquistas quem teve a ideia de criar este corpo de   voluntários. Com a devastação provocada pela guerra, a miséria, o desemprego   e aImagem1 fome, fácil foi recrutar voluntários. A divisão reunia cerca de 18 mil   homens, sendo atribuído o seu comando ao general Muñoz Grandes (mais tarde   substituído por Esteban Infantes. A designação popular de Divisão Azul   deveu-se às camisas dos soldados, iguais às dos falangistas. Diga-se que os   alemães não permitiram um folclore que previa boinas vermelhas como as dos   carlistas e as calças caqui da Legião. Em combate os voluntários vestiam o   uniforme cor de cinza do exército alemão. Uma única concessão – no ombro da   manga direita, as cores da bandeira e a palavra «España». Toda a nomenclatura   prevista pelos franquistas foi ignorada pelo alto-comando alemão, pois tudo   teve de se adaptar à organização do exército de Hitler.

Imagem1Passando   por alto os pormenores, a Divisão Azul sofreu elevadas baixas, nomeadamente   em Leninegrado. Em 1942 houve que enviar efectivos para cobrir essas perdas.   No total, aproximadamente 50 mil voluntários integraram o corpo – no balanço   final contabilizou-se cerca de cinco mil mortos, quase nove mil feridos, além   de centenas de prisioneiros – cativos na União Soviética até 1954.

Tal como grande   parte dos legionários portugueses, os voluntários da Divisão Azul, eram gente   inculta e com uma ideologia feita de preconceitos e de ignorância.   Mentalmente, pobres-diabos, capazes das piores felonias, sobretudo para não   mostrar medo. Os mitos do heroísmo fascistóide dominavam esse conjunto de   ideias feitas a que chamavam ideologia. Manuel Vázquez Montalbán, com o seu   Bromuro, o engraxador que fora combatente da Divisão Azul, traça-nos um retrato perspicaz  e isento de maniqueísmo, de gente que,   mentalmente,  vive num mundo que já não   existe.

De   qualquer modo, homenagear a Divisão Azul, como foi feito  por um membro do governo em Barcelona é   quase tão grave como Cavaco Silva ter condecorado dois agentes da PIDE no   mesmo ano em que recusou uma pensão à viúva de Salgueiro Maia. Salazar e   Franco, se pudessem, sorririam nos seus túmulos. Deixaram raízes. A   democracia, proibida de proibir, não só não queima estas ervas asquerosas,   como as põe nas mais vistosas jarras.

1 Comment

  1. Como é fácil avaliar o passado, com idéias pré concebidas e com o ranzo dos marxistas.
    A metade dos 47 mil membros da Divisão Azul, eram oriundos da Legião Estrangeira Espanhola
    do “Tercio”, homens aguerridos e honrados, a maioria veteranos da Guerra Civil Espanhola. Os ” Novios de la Muerte “. Não eram ignorantes ou analfabetos, lutam bravamente, das tropas não alemãs, foram as mais condecoradas pela sua ação heróica nos combates. Nada mais justo que a Espanha os honre nos dias de
    hoje, já que o ditador Franscico Franco, não os honrou devidamente. Profº.Roberto Monte da Rocha.

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