Aquela cujo xaile embrulha o Sol quando cai no chão,
e que tem as mãos flexíveis como as ligas a meio das coxas;
Aquela que tem a forma do que faz calar,
Aquela que fala co’o andar,
Aquela que sabe mentir,
Aquela cujo olhar dá ilusão
e que tem na voz o timbre dos repuxos;
A dos olhos transparentes da Distância a deformar-se em Vício que regressa;
Aquela que se sente nos joelhos;
Celle qui est de plus en plus danseuse depuis Dégas;
Duncan dansant toute nue la Marche Militaire;
Attention!
:Il n’y a qu’une ville: PARIS
C’est là haut qu’Elle vive partout!
A do sangue verde-esmeralda
essa, sim, quero eu cantar!
(…)
Lxa. 18 Mar. 16.
(de “Portugal Futurista”)
Uma das figuras mais originais do grupo modernista, foi autor do célebre “Manifesto anti-Dantas e por extenso por José de Almada-Negreiros poeta d’Orpheu futurista e tudo” (1915) e do “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX” (in “Portugal Futurista”, 1917). Além de poeta, distinguiu-se ainda como artista plástico (talvez a sua maior dimensão), dramaturgo e romancista.