POESIA AO AMANHECER – 205 – por Manuel Simões

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JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS

(1893 – 1970)

MIMA-FATÁXA

(fragmento)

Aquela que ri nos relâmpagos

e que me beija nas imagens dos espelhos;

Aquela cujo xaile embrulha o Sol quando cai no chão,

e que tem as mãos flexíveis como as ligas a meio das coxas;

Aquela que tem a forma do que faz calar,

Aquela que fala co’o andar,

Aquela que sabe mentir,

Aquela cujo olhar dá ilusão

e que tem na voz o timbre dos repuxos;

A dos olhos transparentes da Distância a deformar-se em Vício que regressa;

Aquela que se sente nos joelhos;

Celle qui est de plus en plus danseuse depuis Dégas;

Duncan dansant toute nue la Marche Militaire;

Attention!

:Il n’y a qu’une ville: PARIS

C’est là haut qu’Elle vive partout!

A do sangue verde-esmeralda

essa, sim, quero eu cantar!

(…)

Lxa. 18 Mar. 16.

(de “Portugal Futurista”)

Uma das figuras mais originais do grupo modernista, foi autor do célebre “Manifesto anti-Dantas e por extenso por José de Almada-Negreiros poeta d’Orpheu futurista e tudo” (1915) e do “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do século XX” (in “Portugal Futurista”, 1917). Além de poeta, distinguiu-se ainda como artista plástico (talvez a sua maior dimensão), dramaturgo e romancista.

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