EDITORIAL: UMA CORRIDA CONTRA O TEMPO

Diário de Bordo - II

 

Parece que a vida política portuguesa está a entrar numa fase de  grande agitação: o governo faz cada vez mais promessas, mas do outro lado da barricada aumentam as manifestações e os protestos. A outro nível, sucedem-se as declarações bombásticas e os disparates. Depois de um Conselho de Estado, em que parece que se terá falado em eleições, coisa em que Cavaco Silva e o governo não estão interessados, vieram uma série de personalidades encher cabeçalhos e écrans de televisão. Ele foi Raquel Varela com o Martim, ele foi Miguel Sousa Tavares contra Cavaco Silva, passando pelo pai de Passos Coelho preocupado com o filho. Para rematar Gaspar quer abrir a idade do investimento.

Todo este fervor resulta da impotência. A direita quer segurar o país nas suas mãos, impôs a austeridade, e agora vê que criou um monstro que está destruir tudo à volta, e talvez ela também não escape. A esquerda sente-se impotente contra uma oligarquia impiedosa, e bem entrincheirada nos seus bancos e  off-shores. Todos percebem que em Portugal estamos perante um colapso generalizado, mas quem pode intervir não quer mudar de rumo, porque assim poria à luz do dia as responsabilidade que tem no prec – processo de retrocesso em curso. O empobrecimento dos portugueses, objectivo referido por Passos Coelho alguns meses depois de iniciar governo, está a ter como resultado a destruição do país, obrigando os portugueses a pensarem  em emigrar, recurso tradicional a que regularmente têm recorrido, ao longo da história, sempre com maus resultados para o país, mas que agora vão ser muito piores.

Seguro tem resistido ao canto da sereia de Passos/Portas, mas não tem soluções.  Portugal caminha para rupturas cada vez mais sérias, e as violências impostas pela troika UE/FMI/governo Passos/Portas criaram uma espiral que terá de ser detida com medidas muito mais violentas do que a saída do euro. Portugal não pode continuar na União Europeia, mas terá que encontrar apoios que lhe permitam reconstruir a sua economia sem sofrimentos ainda maiores para um povo tão castigado. Temos de pensar, mas rapidamente, em como o vamos fazer. E perder o medo às soluções radicais.

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