POESIA AO AMANHECER – 219 – por Manuel Simões

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JOSÉ BLANC DE PORTUGAL

(1914 – 2001)

INVOCAÇÃO

Espírito nocturno que um dia me tocaste

E em alto trono transformaste a flébil haste

Num simples gesto mágico pressabido

Que me erguia dos outros no olvido –

Ó nume – trasgo que teus dedos agitaste

E deles fizeste luminosos astros como fundo

Novo céu de nascimento que formaste

Máquinas simulando de um novo mundo

Musa-deus enganador esquecido

Voltai de novo aos orcos que deixaste

Deixai-me só como me encontraste

– O tempo chega pra lembrança vossa:

O mal de criar de que fui f’rido

Bastará na obra secreta que eu possa.

(de “Parva naturalia”)

Poeta, ensaísta e crítico. Co-dirigiu os “Cadernos de Poesia” (1940-1941). Obra poética:”Parva naturalia” (1960), “O Espaço Prometido” (1960), “Odes Pedestres” (1965), “Descompasso” (1987).

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