JOSÉ BLANC DE PORTUGAL
(1914 – 2001)
INVOCAÇÃO
Espírito nocturno que um dia me tocaste
E em alto trono transformaste a flébil haste
Num simples gesto mágico pressabido
Que me erguia dos outros no olvido –
Ó nume – trasgo que teus dedos agitaste
E deles fizeste luminosos astros como fundo
Novo céu de nascimento que formaste
Máquinas simulando de um novo mundo
Musa-deus enganador esquecido
Voltai de novo aos orcos que deixaste
Deixai-me só como me encontraste
– O tempo chega pra lembrança vossa:
O mal de criar de que fui f’rido
Bastará na obra secreta que eu possa.
(de “Parva naturalia”)

