POESIA AO AMANHECER – 220 – por Manuel Simões

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RUY CINATTI

(1915 – 1986)

POEMA DO PACTO DE SANGUE

Nobres há muitos.

É verdade.

Verdade.

Homens muito.

É muito verdade.

Verdade que com um lenço velho

As nossas mãos foram enlaçadas.

Nós, como aliados, eu digo.

Panos, só um, tal qual afirmo.

A lua ilumina o meu feitio.

O sol ilumina o aliado.

Água de Héler!

Pelo vaso sagrado.

Nunca esqueça isto o aliado.

Juntos, combater, eu quero!

Com o diabo, derrotar, eu quero!

A lua ilumina o meu feitio.

O sol ilumina o aliado.

Poderemos, talvez, ser derrotados

Ou combatidos, mas somente unidos.

Poeta e agrónomo, viveu muitos anos em Timor, publicando algumas monografias sobre a então colónia. A sua poesia revela o fascínio pela ilha edénica (Timor ou S. Tomé). Deixou uma vasta obra poética, de que se destacam os volumes “Ossobó” (1936), “Nós não somos deste Mundo” (1941), “Anoitecendo a Vida recomeça” (1952), “Sete Septetos” (1967), “Borda d’Alma” (1973), “Timor-Amor” (1974), “Manhã Imensa” (1984).

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