POESIA AO AMANHECER – 236 – por Manuel Simões

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ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA

( 1923 – 1986 )

MERCÊ

A todos chamarás amigo, irmão,

Menos a quem estenderes a tua mão.

Terás o mundo todo: terra e mar,

Menos a parte onde quiseres ficar.

Os frutos poderás colher, comer,

Menos aquele que te apetecer.

E haverá sonhos p’ra sonhar, fugir;

Porém, ninguém te deixará dormir.

Não terás nem divisas, nem bandeiras,

Mas hão-de rodear-te de fronteiras.

(de “No Sossego da Hora”)

Foi co-fundador e director de “Távola Redonda”, e animador de “Graal” e da revista “Tempo Presente”. Obra poética: “O Avestruz Lírico” (1949), “No Sossego da Hora” (1949), “O Coração e a Espada” (1953), “A Face Nua” (1954), “Mancha Solar” (1959), “A Rosa Sibilina” (1960), “Voo Doméstico” (1978).

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