As Grandes Manobras é um filme de René Clair, de 1955. Passa-se em 1914, na agonia da Belle Époque. Numa pequena cidade francesa, decorrem manobras militares, prelúdio da I Guerra Mundial. Entretanto, entre os militares e as jovens senhoras da terra, decorrem dramas, enredos, conflitos de intensidade variável, aguardando a grande explosão que se pressente.
Nós por cá, não estamos bem. Pressentimos qualquer coisa de muito grave, o problema é que não sabemos bem o que será. Saberá alguém? As grandes manobras a que estamos a assistir, no nosso cantinho à beira-mar plantado, são apenas pequenas e médias manobras, dependentes de outras. Foi o que nos arranjaram, com as globalizações, uniões, etc.
A nossa democracia suspensa (tê-lo-á sido alguma vez?) dá-nos um espectáculo fraco, pela pouca categoria dos intervenientes, pela baixeza dos enredos, pelo desgosto que nos causa. Mas não devemos alhear-nos. É o que pretendem. O episódio Portas, que a muitos parecia ter mudado a face, senão da Terra, pelo menos do governo português, parece estar a acabar como um tiro de pólvora seca. O único efeito significativo que terá tido, longe, muito longe, de ser favorável ao povo português, foi fazer Cavaco Silva mover-se. Parece que a maior parte das pessoas não percebeu o que ele quis dizer. Se calhar, nem o próprio.
Fazendo tempo para a pausa do Verão, Passos Coelho tenta fazer passar a mensagem de que o governo está em funcionamento, e que a única remodelação foi a substituição de Gaspar por Maria Luís Albuquerque. Tem a vida facilitada pelos enigmas de Cavaco: só tem de insistir na austeridade e na troika, que ele ainda não desistiu de ultrapassar, e quanto ao resto dizer que não há dinheiro. Vai ter é de arranjar outro ministro dos negócios estrangeiros. Portas é descarado, mas é duvidoso que possa continuar a aguentar o lugar, até porque os tempos vão revoltos por esse mundo fora. O pior, como sempre, é que vamos tendo de os aturar.

