EDITORIAL: A BATALHA DE BOYNE FOI EM 1690

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Sexta-feira passada, 12 de Julho, na Irlanda do Norte, foi festejado mais um aniversário da batalha de Boyne. O Boyne é um rio que fica na República da Irlanda, e ali perto, em 1690, Guliherme de Orange derrotou o seu rival Jaime II, numa batalha que terá sido decisiva para a sucessão do trono britânico. Guilherme de Orange era apoiado pelos protestantes, Jaime II pelos católicos. A Irlanda, predominantemente católica, ficou por vários séculos sujeita à coroa inglesa, protestante. Os ingleses sempre trataram a Irlanda como um país ocupado, os irlandeses, na sua maioria, nunca aceitaram de bom grado a situação, e em 1922, após uma história bastante dolorosa, foi criado o Estado Livre da Irlanda. Só em 1949 foi proclamada a República da Irlanda. Entretanto, parte da província do Ulster, com cerca de um sexto do território da ilha, e uma população de perto de dois milhões de habitantes, não foi incluída no novo estado, formando a Irlanda do Norte, que continua sujeita à coroa britânica. Esta divisão deu origem a grandes protestos, que estão na origem da acção do IRA (Irish Republican Army), que visava a reunificação irlandesa.

Todos os anos, os unionistas, representantes dos protestantes e seus descendentes, promovem desfiles comemorativos da batalha de Boyne, sendo frequentes os choques com contramanifestantes católicos, partidários da união com a Irlanda. Este ano não for excepção, pelo contrário. Desde o dia do desfile organizado pelos protestantes, sexta-feira passada, que têm ocorrido violentos tumultos, a que a polícia não tem conseguido pôr cobro, tendo sido necessário deslocar para Belfast fortes contingentes provenientes de outras partes da Grã-Bretanha. Hoje vai realizar-se um encontro de futebol entre o Cliftonville, de Belfast, e o Celtic de Glasgow, a contar para a Liga dos Campeões. O Celtic, como é conhecido, tradicionalmente tem sido conotado com os escoceses católicos e irlandeses emigrados. Os seus apoiantes já foram avisados para não andarem pela cidade com as cores do seu clube, devido ao ambiente de tensão reinante, já há cinco dias consecutivos. Vejam em:

http://www.guardian.co.uk/uk-news/2013/jul/17/northern-ireland-police-belfast

Quantos habitantes de Belfast se lembrariam ainda da batalha de Boyne, ou pensariam vir para a rua provocar os fãs do Celtic de Glasgow, se não fosse o regime vigente na irlanda do Norte durante séculos, a separação incrível de parte da Irlanda do resto do país, e as feridas mal curadas das lutas havidas, de que estas desordens são, ao fim e ao cabo, um prolongamento? As tensões seculares entre opressores e oprimidos, que deram origem a grupos e classes sociais de estatuto e poder económico e social diferentes, a comunidades que vivem separadas num estilo que faz pensar no apartheid, irão continuar pelos séculos fora. Trata-se de uma situação a que é preciso pôr cobro. A Irlanda não está na Europa?  O que faz a União Europeia em relação a estas questões? Será que só serve para impor a austeridade? Um enviado norte-americano vai chegar. Mas toda a gente sabe que o caminho para acabar com esta situação é a reunificação irlandesa. Os opressores de outrora não gostarão, sobretudo os mais egoístas e sectários. Mas não há caminhos fáceis. É preciso escolher o melhor.

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